Amigo é coisa para se cantar...

“Linha de Frente - Milton Nascimento Convida Criolo” estreia amanhã na capital para selar amizade entre gerações

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

“Isso quer dizer amor”. Milton e Criolo se falam quase todos os dias pelo WhatsApp e adquiriram a mania de chamar um ao outro de parente
Rogério von Krüger
“Isso quer dizer amor”. Milton e Criolo se falam quase todos os dias pelo WhatsApp e adquiriram a mania de chamar um ao outro de parente

Em 2011, durante uma confraternização entre amigos na casa de Milton Nascimento, em Itanhangá, na zona Oeste do Rio, alguém colocou para rodar no som da sala “Nó Na Orelha”, segundo disco do rapper Criolo. “O CD ficou um tempão no meu aparelho, não deixei levar embora porque estava apaixonado por aquele cara. Foi a primeira vez que o ouvi e ali eu quis trabalhar com ele o quanto antes”. A vontade acumulada de Milton Nascimento se concretiza amanhã, quando estreia no Palácio das Artes a turnê “Linha de Frente - Milton Nascimento Convida Criolo”, em um show que mistura duas gerações e uma amizade recente.

Muito além de uma admiração musical, Bituca parafraseia uma das suas principais canções para traduzir o que sentiu quando foi devidamente apresentado a Criolo, por intermédio de Ney Matogrosso, no camarim do Prêmio da Música Brasileira, em 2012. “Com certeza isso quer dizer amor – foi o que pensei na hora. O Criolo tem especificidades incríveis, o cara que te beija no rosto, te ganha de cara com aquela serenidade. Além de cantar Noel Rosa como ninguém. É uma surpresa”, diz.

A formatação de um show dos dois, porém, só aconteceu depois que eles dividiram o mesmo palco, na Fundição Progresso, durante o espetáculo “Clube do Milton”, que reuniu convidados como Lô Borges, Wagner Tiso e o grupo Novíssimos para celebrar 50 anos de carreira de Bituca, em janeiro deste ano. “Quase uma semana depois, nos reunimos para discutir esse projeto”, diz.

Talvez pela serenidade em comum, as reuniões entre Criolo e Milton não se resumiram a detalhes técnicos de som, palco, iluminação e repertório de uma turnê. É que após o primeiro encontro com Criolo em um camarim, Milton começou a chamar o rapper pela alcunha de parente em encontros que se estenderam a bares, teatros e residências de amigos em comum, como Caetano Veloso. “Ele se tornou mais que um amigo, é um parente. Na casa do Caetano disse isso a ele quando fizemos um som. Tudo entre nós flui naturalmente”, afirma.

Hoje em dia, Criolo, 38, e Bituca, 71, se falam praticamente todos os dias, mesmo quando estão longe. Milton, porém, não tem tempo e às vezes disposição para escrever cartas longas ou encarar uma noitada, como costumava fazer nos tempos do Clube da Esquina. Por isso, ele recorre à tecnologia. “Criamos uma rádio em que passamos boletins um para o outro. A emissora dele se chama Rádio Criolo e a minha Rádio Nascimência. Funciona da seguinte maneira: ele me manda um áudio via WhatsApp falando assim: ‘aqui é Rádio Criolo direto de São Paulo, e o clima aqui está chuvoso e eu estou tomando um café agora no centrão’. Daí eu respondo: ‘aqui é a Rádio Nascimência operando direto do Rio de Janeiro, e eu estou olhando o mar neste momento’”, conta.

SHOW. No show de estreia da turnê, as 20 canções do repertório não vão ficar presas à MPB ou ao rap – “a sonoridade vai ser universal: música, simples assim, sem rótulos”, garante Bituca. Da parte de Criolo, canções como “Linha de Frente”, “Bogotá” e “Mariô” vão perder um pouco da batida hip hop para ganhar arranjos mais suaves de cordas. Já do lado de Milton, clássicos como “Morro Velho” e “Travessia” vão receber uma injeção de peso na voz do rapper. Além disso, o público mineiro poderá conferir em primeira mão a parceria inédita entre os dois, “Dez Anjos”, feita para o próximo disco de Gal Costa.

Os dois artistas também aproveitam o encontro de gerações para homenagear compositores que admiram em comum. Daí, o setlist do show também terá releituras de Chico Buarque, Dorival Caymmi, Monsueto Menezes e até Miles Davis.

Assim como a amizade de Milton e Criolo, os arranjos do show foram elaborados por cabeças musicais de idades distintas. O responsável pela produção é Daniel Ganjaman, 36, que trabalhou com Criolo em “Nó na Orelha” (2011). Já a execução dos arranjos fica por conta da Banda 5, formada pelos músicos Wilson Lopes (guitarra), Lincoln Cheib (bateria), Kiko Continentino (piano), Widor Santiago (baixo), Ronaldo Silva (percussão), Pedrinho do Cavaco (Cavaquinho) e Gastão Villeroy (baixo), que acompanham Milton Nascimento há mais de 20 anos.

Agenda

O quê. “Linha de Frente – Milton Nascimento Convida Criolo”

Quando. Amanhã e sábado, às 21h

Onde. Grande Teatro do Palácio das Artes (avenida Afonso Pena, 1.537, centro)

Quanto. Plateia I e II– R$ 220 (inteira) e R$ 110 (meia),

Plateia Superior – R$ 180 (inteira) e R$ 90 (meia)

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