Terroristas invadem segunda cidade iraquiana em dois dias

Grupo chamado ‘Eiil’, que tem ligações com a Al Qaeda, já causou a fuga de mais de 500 mil pessoas

iG Minas Gerais |

Invasão. Imagem divulgada pelo grupo em janeiro, mostra comboio similar ao que é descrito pelas agências de notícias que estão no local
AP Photo/militant website - 7.1.2014
Invasão. Imagem divulgada pelo grupo em janeiro, mostra comboio similar ao que é descrito pelas agências de notícias que estão no local

Bagdá, Iraque. Em um avanço relâmpago, militantes sunitas ampliaram seu controle sobre o Iraque nesta quarta para uma área mais ao sul, incluindo a cidade natal de Saddam Hussein, Tikrit, e algumas instalações de Baiji, que abriga a maior refinaria de petróleo do país, alarmando a própria capital, Bagdá. Essa é a segunda capital de província a cair sob o poder dos rebeldes em dois dias, depois da invasão na terça-feira de Mossul – segunda maior cidade do país, no norte –, desferindo um golpe estratégico contra o governo liderado por xiitas e causando a fuga de cerca de 500 mil pessoas.  

A situação provocada por jihadistas do Militantes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (Eiil, mas também conhecido pela sigla “Isis”), um grupo dissidente da Al Qaeda, ficou ainda mais preocupante após relatos de que insurgentes teriam sequestrado 48 pessoas do consulado turco em Mossul, incluindo o cônsul-geral, três filhos de diplomatas e vários membros das forças especiais da Turquia.

Embora a situação pareça calma em Bagdá, moradores começaram a estocar alimentos, combustível e armas de pequeno porte temendo um ataque rebelde. Em Tikrit, capital da província de Saladino, a apenas 150 km de Bagdá, insurgentes libertaram centenas de prisioneiros, de acordo com informações da polícia.

Também há relatos de que militantes sunitas, muitos aliados ao Eiil, lutavam no fim do dia contra forças do governo na entrada de Samarra, a cerca de 110 km de Bagdá. A cidade é conhecida por um santuário xiita sagrado que foi bombardeado em 2006 no auge da ocupação liderada pelos Estados Unidos, desencadeando o caos sectário entre a minoria sunita e a maioria xiita.

Objetivos. A queda das cidades representa uma pesada derrota para o primeiro-ministro Nouri al-Maliki e um sinal dos problemas enfrentados pelo país desde a saída das forças norte-americanas, no fim de 2011.

Eiil quer estabelecer um enclave militante na região, registra avanços tanto no Iraque quanto na vizinha Síria, tomando territórios numa campanha para estabelecer um enclave militante que abrange a fronteira entre os dois países. O premiê iraquiano disse que a grande falha de segurança na província de Ninevah (da qual Mossul é a capital) que permitiu a entrada dos militantes foi resultado de uma “conspiração”. “Agora, o importante é que estamos trabalhando para resolver a situação”, disse o premiê.

Ajuda dos EUA

Antiterrorismo. A Casa Branca considera enviar uma ajuda emergencial de armas e equipamentos militares a Bagdá diante do avanço do Eiil. O país também deve ajudar na evacuação de moradores.

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