Em grampo, primeira-dama do DF pede a suspeito que 'agilize' processo

Alvo da investigação era o então administrador de Taguatinga, Carlos Jales; ele é suspeito de receber propina de empresários para liberar alvarás

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

A primeira-dama do Distrito Federal, Ilza Queiroz, foi flagrada em grampo telefônico pedindo a um administrador regional, suspeito de fraudar alvarás para liberar empresas, que "agilizasse" o processo de uma clínica.

Após a intervenção da mulher do governador Agnelo Queiroz, a clínica de oftalmologia foi liberada para funcionar mesmo sem a vistoria dos Bombeiros.

O grampo foi feito pela Polícia Civil, com autorização da Justiça, na operação Átrio. O alvo era o então administrador de Taguatinga, Carlos Jales. Ele é suspeito de receber propina de empresários para liberar alvarás, mesmo com irregularidades. Jales chegou a ser preso, assim como o ex-governador e megaempresário Paulo Octávio -os dois já foram liberados.

Em 1º de outubro do ano passado, Ilza Queiroz liga da residência oficial para Carlos Jales, para pedir um "favor". Ele logo interrompe: "Pelo amor de deus, a senhora manda!". Ilza então dá o número do processo administrativo. "Queria ver se você pode agilizar", diz a primeira-dama. O então administrador de Taguatinga, que é subordinado ao governador Agnelo, tranquiliza a primeira-dama. "Dona Ilza, pode dormir sabendo que amanhã a licença está na mão deles".

Jales ainda ressalta que a clínica, cujo nome não é citado na conversa, vai funcionar mesmo sem toda a documentação. "Se eles não tiverem habite-se, eu peço para eles assinarem um termo dizendo que vão dar entrada para dar regularização e solto a licença imediatamente".

Dito e feito. Três dias depois, Ilza Queiroz liga para agradecer o "favor". Na gravação, Jales disse que liberou a clínica mesmo sem a vistoria do Bombeiro. "Falta a vistoria do Bombeiro. Fiz um termo para ele assinar e dei 90 dias para eles trazerem a vistoria", disse. "Te agradeço muito", responde a primeira-dama.

No ano passado, a Folha de S.Paulo revelou que a PGR (Procuradoria-Geral da República) pediu a quebra dos sigilos fiscal e bancário da mulher de Agnelo Queiroz. O pedido foi feito dentro do inquérito aberto no STJ (Superior Tribunal de Justiça) para apurar se a primeira-dama estava envolvida em crime de lavagem de dinheiro com transação de imóveis com o governador do Distrito Federal.

OUTRO LADO

Advogado de Agnelo e Ilza Queiroz, Luis Carlos Alcoforado disse que a primeira-dama não é investigada no caso e que não houve irregularidade.

"Pedir um favor não caracteriza comportamento censurável do ponto de vista ético e legal, desacompanhado de benefício. Há uma intenção de mostrar que a administração seja mais eficiente, em função da demora. Ela não pediu que fosse aprovada sem os órgãos técnicos. A ratificação pode ser depois", disse.

O advogado de Carlos Jales, Eri Varella, disse que a defesa ainda está levantando as informações do processo, mas afirmou que o ex-administrador de Taguatinga é inocente. "Ele é absolutamente inocente, não fez favor a ninguém. Ele foi gentil com a primeira-dama e isso não é ilícito", disse.

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