Para evitar as vaias, nada de conversa fiada

iG Minas Gerais | Diego Costa |

Apupo. Na abertura da Copa das Confederações, em 2013, Blatter e Dilma ouviram uma sonora vaia do público
WILLIAM VOLCOV
Apupo. Na abertura da Copa das Confederações, em 2013, Blatter e Dilma ouviram uma sonora vaia do público

“Amigos do futebol brasileiro, onde estão o respeito e o fair-play, por favor?” Foi a pergunta feita pelo presidente da Fifa, Joseph Blatter, no ano passado, na abertura da Copa das Confederações, em Brasília. O questionamento – em tom de “puxão de orelha” – se deu por causa das vaias direcionadas à presidente Dilma Rousseff, que se preparava para discursar, no Mané Garrincha.

Naquele momento, o Brasil vivia um clima tenso por causa das manifestações populares nas ruas. Os gastos com a própria Copa eram um dos principais alvos dos manifestantes.

Fato é que a situação desconfortável não deve ocorrer na abertura da Copa do Mundo, amanhã, entre Brasil e Croácia. No jogo em São Paulo, Blatter e Dilma resolveram abrir mão do discurso. As vaias venceram. Uma situação incomum para o evento, que sempre conta com as palavras do chefe de Estado do país anfitrião.

Mas a postura dos torcedores está longe de ser inédita. Em outras vezes, o brasileiro também encheu os pulmões, e não foi para gritar gol. Pelo contrário, sonoras vaias já foram entoadas.

Em 2007, na abertura dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, o ex-presidente Lula foi vaiado, no Maracanã, e não conseguiu fazer o discurso de praxe na solenidade de inauguração dos jogos. Naquele ano, o país vivia os desdobramentos do mensalão, um caso de corrupção que envolveu nomes da alta cúpula do PT e do próprio governo Lula.

Para o professor da UFMG e coordenador do Núcleo de Estudos sobre Futebol, Linguagem e Artes, Elcio Cornelsen, o comportamento da torcida nessas situações envolve fatores que vão além do futebol.

“Uma coisa é considerar a torcida em jogos do Brasileirão, por exemplo. Outra é a torcida de megaeventos, por causa do valor elevado dos ingressos. É diferente. Por isso, envolve questões políticas, insatisfações de parte da sociedade. Fogem do ato de torcer”, explica Cornelsen.

A própria seleção brasileira já passou por várias situações desconfortáveis no seu território. O caso mais recente foi no último amistoso, contra a Sérvia, no Morumbi. O Brasil venceu por 1 a 0, mas foi bastante vaiado.

“Penso que a insatisfação, no âmbito do futebol, vem muito da imagem que se criou do futebol-arte no imaginário do torcedor. Não vale só o placar, mas a vitória e o jogo plasticamente vistoso”, completou o professor Elcio Cornelsen. Isso muda o jogo Estudantes foram às ruas do bairro Sagrada Família para colocar a tolerância e a paz em campo durante a Copa. Os jovens promoveram um “flash mob” com distribuição de aproximadamente 500 camisetas e kits verde e amarelos com slogans como: “Paciência: isso muda o jogo”. A movimentação dos jovens e a música foi bem recebida por motoristas e pedestres que passaram pela região durante o período da manhã. Maradona detona Fifa Na noite da última segunda-feira, Maradona estreou “De Zurda” (de canhota, em tradução livre), seu programa na TV Telesur, emissora estatal venezuelana, e não poupou críticas à Fifa. “A Fifa leva US$ 4 bilhões com a Copa. O país campeão fica com US$ 35 milhões. A multinacional está acabando com a bola. Você, Blatter, não faz nada e está rico. Você não faz nada”, disparou o ídolo argentino, que também apontou o Brasil como favorito ao título. Melhor goleiro de fora Para o diário espanhol “Mundo Deportivo”, o Brasil não está levando o seu melhor goleiro para o Mundial. Segundo o jornal, não seria Julio Cesar, nem Jefferson nem Victor o melhor para defender a seleção brasileira, mas sim Bruno. “O bom, que realmente surpreendia o Brasil com sua qualidade, não poderá defender nunca a camisa verde e amarela. Bruno Fernandes foi condenado a 22 anos de cárcere pelo assassinato de Eliza Samudio”, escreve o periódico. Novas figurinhas A Panini, editora que publica o álbum oficial da Copa do Mundo, anunciou que vai lançar 71 novas figurinhas. Os cromos serão vendidos em um kit único, a R$ 10,50, que chega às bancas no próximo dia 18. Na seleção brasileira, a única novidade é a inclusão do atacante Jô. O italiano Cassano e o brasileiro naturalizado espanhol Diego Costa também foram incluídos. Rússia e Austrália são as que têm mais novidades, cada uma com cinco novos jogadores.

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