Mãos ao alto II

iG Minas Gerais |

Alisson Gontijo – 20.10.2011
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Como certos assuntos são mais polêmicos que outros, geram repercussão e acabam ganhando suíte, como no jargão jornalístico são definidas pautas que não se encerram em uma única abordagem. E não poderia ter sido diferente com o tema com que nos ocupamos em nosso último encontro: a violência urbana. Naquela oportunidade, chegamos a falar superficialmente sobre os automóveis blindados, uma alternativa que minimiza os riscos de ir e vir, mesmo com tantos perigos em cada esquina. Simplesmente somos o mercado com maior número de carros blindados do mundo, na frente até de regiões como o Oriente Médio. Mas dessa constatação estamos longe de ter orgulho. Essa situação é altamente preocupante e, sob sua influência, ocorre não só o crescimento progressivo dos serviços de blindagem e de vendas de carros blindados, como também aumento dos investimentos no setor. Já existem até empresas produzindo componentes no país; antes, todo o material era importado. Há pouco mais de uma década, tínhamos uma frota de 22 mil carros blindados. De lá para cá, registramos crescimento expressivo, e chegamos a 120 mil veículos com carroceria blindada, de acordo com a Abrablin (Associação Brasileira de Blindagem). Em média, o custo para proteger a vida dentro do automóvel imune a tiro é de cerca de R$ 45 mil. O nível de blindagem mais comum no país é a 3A, que, segundo a associação, é eficaz contra tiros de pistolas, revólveres e submetralhadoras. Corresponde a 90% do mercado, enquanto menos de 10% optam pela blindagem I, que protege de calibres 22, 32 e 38. A primeira etapa no processo de blindagem de um veículo consiste nas medições do carro, a partir de um projeto digitalizado. Em seguida, o veículo passa por uma desmontagem. São retirados bancos e forro interno; volante, pedais, console central e câmbio não são removidos, mas cobertos por plástico bolha, assim como toda a carroceria e as lanternas, para que não haja nenhum tipo de dano. Ao serem retiradas, todas as peças ficam armazenadas e identificadas para facilitar na hora de recolocar cada uma em seu devido lugar. A parte elétrica deve permanecer intacta para manter a garantia da montadora. O vidro representa, isoladamente, 30% do custo total de uma blindagem. Com o veículo já desmontado, é colocada a manta de aramida por toda a extensão da carroceria, desde a tampa interna do porta malas até a parte da frente dos pedais para proteger os pés dos ocupantes. Reforço na suspensão é preciso, porque o carro fica mais pesado em até 140 quilos. Algumas curiosidades merecem destaque. Segundo uma pesquisa da Abrablin, 70% dos usuários de veículos blindados são empresários ou executivos, 10% são artistas, 3% são políticos, 2% são juízes e outras categorias representam os 15% restantes. A mesma pesquisa da Abrablin mostra, ainda, que 42,5% dos usuários de veículos blindados têm entre 40 e 49 anos, 27,5% têm entre 30 e 39 anos, 12,5% têm entre 25 e 29 anos, 7,5% têm entre 20 e 24 anos, 6,5% têm entre 50 e 59 anos e apenas 3,5% têm mais de 60 anos. Cerca de 80% dos carros brasileiros blindados estão em São Paulo. O Rio de Janeiro tem 11% desse bolo, Pernambuco vem com 3%, Brasília e Minas Gerais com 1,5% e o Paraná com 1%. Os demais Estados respondem, somados, pelos 3% restantes. No caso dos blindados usados, o grande perigo está nos vidros, que podem apresentar delaminação (o descolamento das camadas). É inevitável que aconteça, mas pode demorar até dez anos, dependendo da qualidade do material. Em todos os casos, porém, convém cobrar o certificado de origem do veículo, no qual consta o ano da blindagem – o que todo carro de passeio blindado deve ter.

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