Show para quem não tem ‘medinho’

Drama de suspense cheio de criaturas sobrenaturais estreia nesta sexta

iG Minas Gerais | Isis Mota |

Mistério. Exploradores do oculto são liderados por Malcolm Murray (Timothy Dalton), à direita
fotos Showtime/divulgação
Mistério. Exploradores do oculto são liderados por Malcolm Murray (Timothy Dalton), à direita

Os dois minutos e meio que antecedem a abertura de “Penny Dreadful” não têm uma só palavra, mas são aterrorizantes o bastante para mostrar ao público o que vem pela frente. A escuridão do ambiente, o barulho do vento e a respiração da personagem fazem o espectador se segurar no sofá. E, claro, pular na hora certa. É esse o clima do programa do canal Showtime, e pode ser conferido pelos assinantes da HBO brasileira a partir desta sexta-feira, dia 13.

“Penny Dreadful” faz com algumas das histórias de horror mais conhecidas da humanidade o que “Once Upon a Time” fez com os contos de fadas: mistura personagens famosos num único conto de terror, na Londres de 1891 – não por acaso, o ano da publicação da versão final de “O Retrato de Dorian Gray”, de Oscar Wilde. Frankenstein, Dorian Gray, Mina, a eterna amada do conde Drácula, vampiros, lobisomens, maldições do “Livro dos Mortos” do Egito antigo... Todos juntos, cruzando as fronteiras do “demi-monde”, um plano intermediário “entre o que conhecemos e o que tememos”.

Cada personagem está ligado à morte ou perseguindo um prolongamento da vida, de um jeito ou de outro. Ao espectador que não tiver pelo menos um conhecimento superficial dessas histórias e pessoas, vai faltar a chance de apreciar “Penny Dreadful” em toda a profundidade das suas referências. Nenhum deles é particularmente apresentado. Você é levado a deduzir que o doutor fascinado pelo limiar entre a vida e a morte é Victor Frankenstein. Assim como precisa saber que Mina, a mocinha do livro clássico de Bram Stocker, é o amor da vida (e da morte) do conde Drácula para entender por que seu pai, Sir Malcolm Murray (Timothy Dalton), vai às profundezas para resgatá-la.

A arte de contar histórias é bem executada. Às vezes, um episódio é estruturado em torno de um longo monólogo em flashback, ou no fim de um capítulo o assassinato da primeira cena ainda não fez sentido. Mas, cedo ou tarde, tudo dá uma volta e se ajusta à trama central. Regrinha básica da boa televisão em série cumprida à risca.

Elenco de fino trato. Quem selecionou o elenco deve estar rindo de orelha a orelha, agora que mais da metade da temporada já foi ao ar nos Estados Unidos, e bem aprovada. Os atores têm tanta química que quase toda cena tem uma conexão inesperada, uma energia de ressentimento ou culpa e desejo no ar. Entre os personagens originais, que não estavam em nenhuma das histórias inspiradoras da série, brilham a médium Vanessa Ives (Eva Green) e Ethan Chandler (Josh Hartnett).

Dizem que Eva Green andava rejeitando papéis, esperando algo à altura da sua intensidade. Pois Vanessa Ives, definida por Dorian Gray como “a coisa mais misteriosa de Londres”, foi feita à mão para ela. Se a sessão mediúnica do segundo episódio não lhe render uma indicação ao Emmy de melhor atriz, o conjunto da obra certamente o fará. O veterano Timothy Dalton, que foi o quarto James Bond do cinema, esbanja boa forma e talento em seus 70 anos.

Josh Hartnett também faz sua parte, nem que seja mostrando seu rostinho bonito – e seu bumbum. Seu Ethan Chandler segue essa liga extraordinária de exploradores do mundo oculto no escuro; ninguém lhe explica absolutamente nada. É nessa exata situação que nos encontramos do lado de cá da telinha: a série não nos conta mais do que o estritamente necessário, deixando o resto para a imaginação.

Toda a premissa da série indicava mais chance de fracasso que de sucesso. Mas, no último dia 6, o canal Showtime renovou a série para uma segunda temporada. Quem não quiser esperar até sexta-feira já pode ver o primeiro episódio online em www.hbomax.tv/penny-dreadful/.

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