Cada um na sua vibração

iG Minas Gerais |

Hélvio
undefined

Então amanhã começa a Copa do Mundo. E, pela primeira vez, desde que existe o Mundial, haverá uma diversidade de maneiras de vivenciá-lo por aqui, o chamado “país do futebol”, o anfitrião do evento. Tem aqueles que se vestirão de verde-amarelo, decorarão suas casas e carros com bandeirinhas do Brasil e se reunirão com amigos para torcer pela seleção. Sofrerão a cada gol perdido e comemorarão cada vitória, inclusive esperam preparar uma grande festa, caso o Brasil conquiste a Copa. Do contrário, chorarão como bebês. Vai ter a turma dos protestos, que, indignada com os gastos com a realização do evento, vai para as ruas se manifestar. Eles não usarão verde e amarelo para não serem confundidos com o pessoal aí de cima, nem vermelho, que é justamente a cor do partido do governo. Mas aproveitarão que o mundo está de olho no país para mostrar que, enfim, aprendemos a nos mobilizar. Vão preparar uma grande festa nas ruas caso o Brasil não conquiste a Copa. Tem os velhos torcedores da Argentina. E nem é por causa do Messi, o grande jogador do momento, mas porque, mesmo sendo brasileiros, se sentem mais identificados com a maneira dos hermanos de tratar “la pelota”. Aqueles que acreditam piamente que o melhor jogador de todos tempos é Maradona vestirão azul-claro e branco, se reunirão em algum parrilla local, não sem antes ensaiarem em casa o sotaque: “Argentina, Argentina!”. Estes protestarão se o Brasil ganhar a Copa; dirão que foi “la mano del diablo”. Tem os novíssimos que torcerão pelo Uruguai, não por outro motivo que não seja Pepe Mujica, o presidente que muitos de nós pediram a Deus. Irão até esquecer o sentimento de revanche por ter sido justamente a seleção que tirou a Copa das nossas mãos, na última vez em que recebemos o Mundial no Brasil, em 1950. Estes invadirão o país vizinho para comemorar, caso o Uruguai vença a Copa, só para ter a chance de abraçar Mujica. Há aqueles que vão trabalhar normalmente ou até mais (no caso dos jornalistas) no horário dos jogos. E por mais que sejam contra ou favor da Copa, amem a Argentina ou torçam para o Uruguai, terão que segurar a onda. Não terão força para fazer festa. Só sentirão alívio por tudo ter chegado ao fim. E tem aqueles que, com o perdão da palavra, cagam para a Copa. Não são propriamente contra, só acham que têm coisa melhor pra fazer. Irão ao cinema, lavarão roupa, passearão com seus cachorros na praça, justamente na hora dos jogos, indiferentes ao movimento de todos os outros. Continuarão focados em outras coisas caso o Brasil, a Argentina, o Uruguai ou o Camarões ganhe a Copa do Mundo. O Brasil não é mais aquele em que “todos vibram na mesma emoção”. É certo que não haverá uma alegria geral se a seleção brasileira vencer esta Copa, como não haverá uma comoção caso perca. Não somos mais o país de 1994, quando o Brasil inteiro finalmente comemorou o tetra, que viria em 1982, não fosse Paolo Rossi. Assim como não somos os mesmos de 1950, em que o uruguaio Ghiggia calou não apenas as 200 mil pessoas presentes no Maracanã, mas os 52 milhões de brasileiros de então, tirando das nossas mãos o que viria ser a nossa primeira Copa. Somos muitos, com diferentes desejos, ideologias, idiossincrasias e paixões. E que cada um possa vivenciar esta Copa do Mundo da maneira que achar melhor. E que ninguém se sinta no direito de apontar o dedo para o outro. Feliz Copa! 

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave