Entrar no centro de mídia é difícil até falando português

No segundo dia de funcionamento do espaço, voluntários ainda se atrapalham para permitir a entrada; estrangeiros sofrem ainda mais

iG Minas Gerais | Ricardo Corrêa |

Jornalista argentino Federico Jelic enfrentou dificuldades no momento do credenciamento
Jornalista argentino Federico Jelic enfrentou dificuldades no momento do credenciamento
Há quem pense que, ostentando uma credencial no pescoço, um jornalista passe a ter portas abertas e acesso irrestrito a qualquer lugar. Em uma Copa do Mundo, por conta do elevado nível de segurança, não era mesmo para ser bem assim. Mas podia ser mais fácil. Entrar no Centro de Mídia do Mineirão requer uma dose de paciência e alguma tolerância, sobretudo ainda no segundo dia de trabalhos do local. O repórter que vos escreve enfrentou isso na pele. Primeiro, na entrada do Mineirinho, descobriu que os voluntários sequer sabiam onde era o centro de mídia, que ficava no Mineirão, do outro lado da rua. Após algumas consultas, um deles se ofereceu gentilmente para acompanhar até lá. Na primeira entrada, no entanto, passou o voluntário e ficou o jornalista. Sua credencial não valia para aquela porta. Foi sugerido que tentasse mais abaixo, por uma tenda onde um aparato de segurança estava montado. Destes ao estilo aeroporto. Passa a bolsa pelo raio x, retira os metais do bolso e, pronto. Está livre para entrar, certo? Ainda não. Um novo detector de metais precisava ser utilizado. Esquema de segurança superado, bastava subir uma escada para chegar até o centro de mídia. Só que, no primeiro degrau, era hora de parar de novo, agora para checar a validade da credencial. O equipamento confirmou que ele podia subir. Mas, no máximo 30 degraus depois, já era hora de um novo teste. E, dessa vez, a máquina foi implacável: acesso negado. Mas como, se a credencial trazia estampado o número 7 que dava direito a entrar no centro de mídia? A voluntária não tinha como dizer. Do alto da estrutura, uma voz derrubou o veredicto da máquina. "Ele pode subir", avisou alguém de status certamente superior na hierarquia da Copa. A explicação também veio à distância: "Você tem que ficar é naquele corredor", avisou ele à voluntária, a ostentar a máquina que barrava a entrada em outro setor. Mais alguns passos e, enfim a chegada no centro de mídia. Na porta, mais uma conferida rápida na credencial e: "Ok, seja bem vindo". Não sem antes, já dentro do espaço, ver um voluntário correndo para saber por qual motivo o jornalista entrou. Vista a credencial de mais de um palmo de tamanho e fundo amarelo, fim da saga. Está autorizado. Se é difícil falando em português, a situação pode ser bem pior para quem ainda tem a barreira da língua para enfrentar. Os espanhóis Francisco José Fernandes e Rafael Vargas, por exemplo, viram as dificuldade de perto. Eles relataram que os voluntários não sabiam o que se passava. Por isso, os dois enfrentaram a mesma via crúcis para chegar até seus postos de trabalho. Eles também não conseguiram se contectar via internet wi-fi, o que prejudicou os trabalhos. O que eles esperam é que os problemas sejam sanados ao longo dos dias, já que ficarão em BH até o fim da primeira fase. Ambos estão cobrindo a seleção argentina durante o torneio.   Problemas com foto e idioma Há seis dias em Belo Horizonte, Federico Jelic, do jornal La Mañana de Córdoba, na Argentina, está se sentindo bem em Belo Horizonte. Diz que o povo é simpático, que é solícito para dar informações na cidade. Mas nem ele, com toda a simpatia, conseguiu escapar dos problemas por aqui. Sua dificuldade foi do outro lado da rua, no espaço para credenciamento. Jelic teve problemas para fazer sua foto da credencial. Viu o sistema e a energia caírem no local e, envolto por cinco voluntários, descobriu que só um deles conseguia entender o que dizia. Custou a fazê-los entender que ele já havia feito a foto anteriormente e que só precisava retirar o documento. Mas também fez elogios: "Meu problema foi lá no credenciamento, aqui está tudo ótimo".