Aos gritos de Sharapova e Hulk, Rússia faz treino aberto em Itu

Com a maioria de torcedores locais, russos fizeram treino descontraído e conquistaram público da região

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

Treino russo teve mais de 4.000 espectadores nas arquibancadas
Rússia/Divulgação
Treino russo teve mais de 4.000 espectadores nas arquibancadas

Aos gritos de Sharapova e Hulk, os jogadores da Rússia entraram um pouco tímidos no gramado do estádio Novelli Júnior, em Itu, na manhã desta terça-feira (10). Foi a primeira atividade da equipe no Brasil com a torcida ao lado.

O público de quase 4.000 pessoas foi formado em sua maioria por brasileiros, residentes em Itu, Sorocaba e região, e com muitas crianças e adolescentes.

Até por isso os gritos em referência a Maria Sharapova, a principal tenista da Rússia, e o atacante brasileiro Hulk, que atua no russo Zenit, foram entoados como provocação.

Os jogadores não se importaram. Até foram gentis com o público. Fizeram alguns movimentos dos treinos nas extremidades do campo para ficar mais próximos da torcida.

O meio-campista Alan Dzagoev, 23, do CSKA, até distribuiu autógrafos para alguns. Entre os torcedores, uma jovem brasileira chamava atenção. Com a camisa grená da seleção e enrolada na bandeira russa, ela acompanhava o treino atentamente.

Descendente de italianos, Letícia Ferretti, 15, assumiu ser fã da cultura russa e por isso confessou sentir uma emoção especial por ver sua cidade hospedar os russos.

"Comecei a gostar do país por causa da música, sou fã de pop-folk. Depois passei a gostar da história do povo russo e dos homens russos, que são todos lindos. Não conheço todos da seleção deles, mas estou me entrosando. Não vou torcer para o Brasil, vou torcer para a Rússia na Copa do Mundo", disse Letícia, acompanhada da mãe, à reportagem.

A garota ainda confessou que pretende passar o aniversário de 16 anos, em 24 de janeiro de 2015, na Rússia. "Meu sonho é conhecer a Rússia e não quero esperar a Copa-2018. Já até entendo um pouco do idioma e aprendi sozinha", disse.

Já um grupo de meninas de 15 a 18 anos aproveitou o dia de folga na escola Francisco Nardy Filho, ao lado do estádio, para ver o treino e tietar o goleiro Igor Akinfeev, 28, do CSKA. À reportagem, elas se auto intitularam "Igorzetes", assumindo a idolatria ao russo, e aos gritos de "Igor, Igor" ficaram animadas quando ele acenou com uma das mãos.

"Ele é muito lindo, ganhou minha torcida na Copa. Não quero saber mais do Brasil", disse, aos risos, Bianca Trano, 18 anos.

Mas havia outros interesses entre os torcedores. Um casal levou o álbum da Copa do Mundo na expectativa de conseguir um autógrafo dos russos.

Samuel Bruni, 24, e Tatiane Leandro, 24, lamentaram apenas ter a seleção da Rússia incompleta no álbum. Faltam os números 604, 605 e 608.

"Espero que não seja um dos que faltem que dê o autógrafo, mas vou aceitar. Ver a Rússia hoje é o mais próximo que vou estar da Copa no Brasil e quero aproveitar", disse Bruni, que é natural de Itu e já viajou para Sorocaba para ver a Argélia.

Na saída do treino, o ferramenteiro Carlos Henrique, 49, comemorou o que assistiu ao lado da mulher, do filho, da nora e da neta Heloísa, 5.

"Foi minha primeira e única experiência de Copa", disse, aos risos. "Este ano o Ituano foi campeão paulista e a cidade está recebendo duas seleções. Não podemos reclamar."

TREINO

O treino da seleção da Rússia foi descontraído. O técnico italiano Fábio Capello dividiu o campo em dois e deixou os jogadores tocarem a bola. Depois testou defesa contra ataque.

A torcida vibrou com os gols de Kerzhakov e Ionov, apesar de não saber os nomes dos jogadores que estavam no gramado do Novelli Júnior.

Ao final da atividade, todos os jogadores russos acenaram para os torcedores, agradecendo o apoio recebido e os aplausos.

"Para muitos jogadores do nosso time é uma coisa nova treinar com a torcida do lado. Ficamos um pouco nervosos, mas é uma coisa boa, positiva. Pode dar uma vantagem", disse o zagueiro Vladimir Granat, 27, do Dínamo Moscou.

"Foi uma experiência diferente, mas positiva. A gente não sabia como seria, foi até uma surpresa ver tantas pessoas por aqui. O astral foi bom", afirmou o atacante Alexsandr Kerzhakov, 31, companheiro de Hulk no Zenit.

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