Acusado de matar ex-prefeito de Mariana diz que confissão foi montada'

Réu afirmou em depoimento durante júri que foi torturado; promotor nega que ele tenha sido agredido; conselho de sentença é formado por quatro homens e três mulheres

iG Minas Gerais | Fernanda Viegas |

Um dos acusados de matar o ex-prefeito de Mariana, na região Central de Minas, Leonardo Stigert da Silva, 26, afirmou em depoimento, durante júri popular iniciado na manhã desta terça-feira (10), que apanhou bastante e que o documento de confissão assinado foi "montado" na delegacia. Por outro lado, o promotor Francisco Santiago sustenta que o réu passou por exame de corpo de delito e que não foi comprovada nenhum tipo de tortura.

O julgamento acontece no 2º Tribunal do Júri do Fórum Lafayette e é presidido pelo juiz Glauco Eduardo Soares Fernandes. O ex-prefeito João Ramos Filho, então com 78 anos, foi assassinado por três homens em maio de 2008.

Em seu momento de fala, Silva contou ainda que tomou socos no estômago, passou por sufocamento com saco plástico na cabeça e sofreu ameaça de aperto nos testículos com alicate. Além disso, garantiu que não foi permitido ligar para um advogado.

Em resposta ao promotor, Silva contou que viajou uma única vez com o também acusado pelo crime, Guaracy Goulart Moreira, que era seu sogro. Falou que não conhece o acusado de ser mandante do crime, Francisco de Assis Ferreira Carneiro, e que não faz ideia de seu nome estar relacionado ao assassinato.

Silva disse ainda ser marceneiro e que trabalha com alta decoração, como cozinhas planejadas.

Os outros acusados, Francisco de Assis Ferreira Carneiro e Guaracy Goulart Moreira, tiveram os processos desmembrados na sessão do dia 29 de maio e serão julgados no dia 28 de agosto.

A sessão começou por volta das 9h20 e o futuro de Silva será definido por um corpo de jurados formado por quatro homens e três mulheres. O depoimento do réu foi o primeiro, já que a única testemunha que seria ouvida no júri, um policial civil, foi dispensado pela acusação e pela defesa.

Passada a palavra para a acusação, o assistente Severino Flores disse que é comum os réus dizerem que apanharam na delegacia. Ainda afirmou que o motivo para o crime foi a concorrência pelo cargo político, já que o ex-prefeito João Ramos tinha mais de 30% de intenção de voto que poderia levá-lo à prefeitura pela 4ª vez. Carneiro era concorrente na prefeitura, mas tinha apenas 10% dos votos nas pesquisas. Exemplo clássico "da busca imunda e porca pelo poder", disse o promotor.

Aguarde mais informações.

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