Paulo Roberto Costa nega ter participado de organização criminosa

Investigado por suspeita de corrupção e envolvimento com um bilionário esquema de lavagem de dinheiro, Costa foi solto no dia 19 de maio após decisão do ministro Teori Zavascki

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Em depoimento realizado nesta terça-feira (10) na CPI da Petrobras no Senado, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou que a estatal "não era um balcão de negócios" ao negar que tenha participado de uma "organização criminosa". A declaração foi dada no início da sessão que acontece no Senado -enquanto Costa fazia um histórico sobre os mais 30 anos que passou como funcionário da Petrobras. Investigado por suspeita de corrupção e envolvimento com um bilionário esquema de lavagem de dinheiro, Costa foi solto no dia 19 de maio após decisão do ministro Teori Zavascki, do STF (Supremo Tribunal Federal).

O ex-diretor foi preso no dia 17 de março na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, por envolvimento com o doleiro Alberto Youssef. Em resposta aos senadores, Costa também comentou a polêmica compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Segundo ele, foi um bom negócio independente das cláusulas "Marlim" e "Put Option", responsáveis pelo prejuízo de U$ 530 milhões na compra da refinaria.

A cláusula "put option" determinava, em caso de discordância entre a Petrobras e a belga Astra Oil, que a estatal seria obrigada a comprar o restante das ações. Já a "Marlim" dava à outra sócia uma garantia de rentabilidade mínima de 6,9% ao ano. Em 2006, o Conselho de Administração da Petrobras, presidido à época por Dilma Rousseff, autorizou a compra dos primeiros 50% da refinaria de Pasadena, que pertencia à empresa belga Astra Oil. Somente em março deste ano a presidente Dilma criticou o resumo feito em 2006 por Nestor Cerveró, então diretor internacional, que baseou a compra da primeira metade de Pasadena. Dilma definiu o relatório de "incompleto" por omitir, na transação para compra da refinaria, justamente a existência das cláusulas "put option" e "Marlim".

Após um processo na Câmara Internacional de Arbitragem, a Petrobras teve que comprar em 2008 -obrigada por essas cláusulas- a metade restante de Pasadena. Diante do novo montante gasto, a compra de Pasadena acabou sendo um mau negócio com prejuízo para o Brasil. "Independente dessas clausulas, eu acredito que foi um bom negocio naquele momento. A Put Option é uma clausula padrão. Não acho que, por causa dessas clausulas, a Petrobras deixaria de fazer um bom negócio", afirmou Costa. Ele negou que tenha participado das decisões sobre a compra de Pasadena. De acordo com Costa, a compra da refinaria era importante para aproximar do mercado norte-americano, "maior mercado de derivado do mundo". Costa explicou que ninguém consome "petróleo cru", mas sim os derivados.

Abreu e Lima

Em entrevista a Folha de S.Paulo logo após ser solto, Costa negou irregularidades nos negócios da estatal e afirmou também que não houve superfaturamento na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, a maior obra da Petrobras, que está sendo investigada. Na CPI, ele repetiu o raciocínio e defendeu o negócio.

A oposição boicota a CPI exclusiva do Senado por considerá-la "chapa branca" e criou outra, com a participação de deputados e senadores, para também investigar os negócios da Petrobras. Nela, acredita a oposição, haverá mais liberdade para investigar. O depoimento da presidente da Petrobras, Graça Foster, está previsto para quarta-feira (11).

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