Em livro, Hillary elogia Dilma e critica Brasil por acordo nuclear

A ex-secretária de Estado e ex-primeira dama, diz que gostou de trabalhar com Dilma e relembra que esteve na posse da presidente brasileira

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Netanyahu reitera que política de seu país é a mesma de 42 anos atrás
Cliff Owen/associated press
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Em seu livro de memórias lançado nesta terça (10), Hillary Clinton diz que a presidente Dilma Rousseff é uma "formidável líder, que admiro e gosto", que tem "intelecto forte e verdadeira determinação". A ex-secretária de Estado e ex-primeira dama, atualmente favorita nas pesquisas para suceder o presidente Barack Obama, diz que gostou de trabalhar com Dilma e relembra que esteve na posse da presidente brasileira. Ela diz que Dilma mostrou "fibra" ao responder aos protestos de junho do ano passado, "encontrando-se com os manifestantes, reconhecendo suas preocupações", sem "mandar bater e encarcerá-los, como muitos outros países fazem, incluindo a Venezuela".

No livro "Hard Choices" (decisões duras), Hillary dedica um capítulo de 23 páginas para a América Latina, "Democratas e demagogos". Depois de enumerar a importância da região para as exportações americanas e a redemocratização quase total da região, ela diz que "para minha grande satisfação", a América Latina virou "uma vitrine do poder de lideranças femininas" e cita Brasil, Argentina, Chile, Costa Rica, Guiana, Jamaica, Nicarágua, Panamá e Trinidad e Tobago como países que são ou já foram liderados por mulheres.

O livro, de 600 páginas, é considerado mais uma peça da campanha de Hillary rumo à Casa Branca em 2016 -depois de sua tentativa frustrada em 2008, quando perdeu para Obama. Ainda sobre o Brasil, Hillary diz que a ascensão do país "simboliza, talvez mais que qualquer outro, a transformação e o potencial para o futuro". Ela elogia os presidentes Fernando Henrique Cardoso, "que colocou o despertar econômico do país em movimento" e pelo início dos esquemas de transferência de renda, e Lula, "que continuou suas políticas econômicas, expandiu a rede de bem-estar social e reduziu a destruição da floresta na Amazônia em 75%".

Hillary destaca a missão de paz no Haiti liderada pelo Brasil e critica a tentativa do acordo com o Irã sobre seu programa nuclear, "profundamente equivocado". Ainda assim, ela diz que a "influência crescente e as capacidades consideráveis para resolver problemas" do Brasil são "bem-vindas". Ela também chama o Chile, "como o Brasil, uma história de sucesso". E aproveita para elogiar Michelle Bachelet, "uma amiga e aliada". Chama Hugo Chávez de "ditador exibicionista, mais irritação do que ameaça real, exceto para seus próprios cidadãos". Hillary diz que, ao final de seu mandato no Departamento de Estado, em 2013, que sugeriu a Obama revisar o embargo à Cuba. "Não atinge seus objetivos e está restringindo nossa agenda maior na América Latina".

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