BHTrans quer desestimular o uso do transporte individual

Próxima ação do plano municipal de mobilidade é incentivar a utilização ‘racional’ do carro na capital

iG Minas Gerais | Joana Suarez |

Custo-benefício.John Ferreira apertou o orçamento para garantir conforto e agilidade nos deslocamentos
PEDRO GONTIJO / O TEMPO
Custo-benefício.John Ferreira apertou o orçamento para garantir conforto e agilidade nos deslocamentos

Mais da metade da população belo-horizontina usa transportes individuais (carros e motos) para se locomover. Todos os dias, a frota da cidade ganha, em média, 130 automóveis. Para cada 1,6 habitante há um veículo motorizado. Diante desse cenário, a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) quer incentivar o “uso racional” (em necessidades reais) do carro. A proposta está entre as principais ações da Política Municipal de Mobilidade Urbana (PlanMob-BH), que está sendo elaborada.

Em dez anos, o número de pessoas que fazem viagens de carro subiu 116%, enquanto as pessoas que se locomovem por transporte coletivo caiu 8%. Em 2002, 57,6% usavam ônibus e metrô, e, em 2012, caiu para 34,6%. Entre os que passaram a usar a moto, o crescimento é ainda maior, de 649% . Os dados foram apresentados pelo presidente da BHTrans, Ramon Victor Cesar, na última sexta-feira, em um seminário de mobilidade promovido pelo governo britânico na capital mineira. “Temos uma cidade tomada por automóveis. Nosso desafio é voltar a crescer os passageiros de ônibus”. Para especialistas, a autarquia terá uma tarefa difícil porque o transporte público não estimula a população a abandonar o veículo. “Essa é uma campanha válida, mas demanda tempo. É um processo de mudança que inclui ter um transporte coletivo que incentive a troca”, disse a arquiteta e urbanista Alícia Fernandino Rodrigues. Ela tem que sair de casa três horas antes do trabalho para ir sentada no ônibus e conseguir chegar no horário. Esse “tempo perdido” tem levado usuários a seguirem o movimento contrário ao pretendido pela BHTrans. A universitária Gabrielle Florenzano, 19, espera apenas passar da carteira provisória para a definitiva, em setembro, para começar a usar seu carro diariamente. “O ônibus é muito cansativo. Pego dois do Buritis para a Pampulha. Eles dão muita volta, fico uma hora e meia no trânsito”. Estratégias. Para incentivar o uso racional do carro, o PlanMob-BH prevê melhorias do transporte público e mais ciclovias. Dificultar o acesso à área central também é uma estratégia para que as pessoas optem por deixar o carro em casa. Foi o caso da terapeuta Rosana Palhares, 57, que decidiu usar o ônibus quando pensou no estresse da direção e da busca por vagas. “Está ficando muito difícil andar de carro. Como tenho várias linhas para o trajeto que faço, prefiro o ônibus. Gasto o mesmo tempo, mas posso ler, me distrair”.

Há previsão de pedágio urbano A cobrança de pedágio urbano é uma solução utilizada pelo governo britânico para desestimular o uso do transporte individual. Em Londres, as pessoas pagam R$ 38 por dia. A estratégia está prevista legalmente no plano de mobilidade de Belo Horizonte, mas a BHTrans descarta aplicá-la nos próximos anos. Outra ação apresentada pela Inglaterra são as barreiras móveis entre os dois sentidos de uma via para que nos horários de pico da manhã um lado tenha três faixas e, na volta para casa, mude de sentido.

Saiba mais Capital. A política de mobilidade quer planejar o trânsito aliado à política de uso e ocupação do solo, melhoria e prioridade ao transporte coletivo, estímulo ao uso da bicicleta e ao uso racional do carro. Os recursos passarão de R$ 2,2 bilhões para R$ 3,9 bilhões. Modal. O PlanMob-BH visa que, em 2020, haja uma rede multimodal de transporte, com três linhas de metrô e o BRT. Lei. Os municípios que não tiverem elaborado sua Política Nacional de Mobilidade Urbana até janeiro de 2015 ficam impedidos de receber recursos federais destinados à mobilidade urbana. Motorização. A capital mineira tem a segunda maior proporção de carros por habitantes (63 para cada cem pessoas), perdendo apenas para Curitiba (77). A cidade já tem implantado ações para priorizar o transporte coletivo, a exemplo da expansão das faixas exclusivas para ônibus e da eliminação de vagas de estacionamento, como ocorreu na avenida Pedro II .

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