Monotema sem monotonia

iG Minas Gerais |

Não faltam bons temas sobre os quais palpitar em um espaço privilegiado como este. O Brasil e o mundo são pratos cheios de assuntos espinhosos, capazes de instigar o monge de capacidades espirituais mais elevadas. A economia nacional segue esse mistério em coma induzido. Mesmo a presidente Dilma está intrigada sobre o motivo de não crescermos o quanto poderíamos. Para jornalistas, ela disse não ter resposta para a questão. É como perguntar para o capitão do navio por que e de que furo entra a água que inunda o convés e ele responder que não sabe. É para ficar tranquilo? A impressão é de que vivemos tempos estáticos. Tudo depende do que virá. Tudo depende. Não se compra, não se investe, não se contrata por receio do futuro. E, nesse compasso de espera, esperamos todos. Culpa da neblina do ambiente. A pesquisa da CDL de Belo Horizonte sobre a projeção das vendas do comércio neste Dia dos Namorados reflete bem essa suspensão de expectativas. Pouco mais de um terço dos lojistas crê em volume igual ao aferido na data de 2013. Outro terço acredita que venderá mais, e 29%, menos do que no ano passado. Curioso que essa mesma divisão de terços tem aparecido nas pesquisas de avaliação do governo Dilma: para uma parte está bom, para outra, a administração do país está ruim, e, na avaliação da terceira parte, mais ou menos. Pelo fatiamento regular, as eleições presidenciais prometem. Mas os partidos e seus pré-candidatos também parecem em modo de espera. Este é o mês de convenções, para se decidir quem fica com quem ou se move. Acontece que, nesse jogo de estratégias dinâmicas, um depende do outro e vice-versa. Enquanto isso, Aécio está sem vice, os partidos periféricos do Planalto pendem para um lado ou outro, e o PMDB contabiliza, outra vez, para colocar seu preço. Fora do Brasil, também há muita coisa interessante. Na Argentina, o vice-presidente, Amado Boudou, é réu na Justiça. Teria favorecido, quando ministro, a empresa que imprime cédulas e documentos oficiais para evitar sua falência. Não bastasse a projeção de 40% de inflação para este ano, a viúva Cristina ainda tem que lidar com essa suspeita de gestão fraudulenta e aguarda o veredito do juiz, da finança e do eleitorado. Mas o cenário mais estimulante é o da Espanha atualmente. O povo foi para as ruas reivindicar o fim da monarquia por meio de referendo. Bastou o rei Juan Carlos anunciar que abdicará do trono para dar vazão ao movimento republicano adormecido. O espanhol espera os últimos dias do monarca para poder dar sua resposta “sí” ou “no” ao sistema. O denominador comum de tanta coisa interessante é a sensação de relógio parado. O próximo passo, gesto de coragem para quem o fizer, está para ser dado. Ainda que tão instigantes, todos os processos de mudança e todas as formações coletivas de expectativa parecem menores porque não se mexem. E por quê? O Brasil e o mundo estão diante da TV.

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