O demolidor de tabus

iG Minas Gerais | Victor Martins |

A carreira de Sebastião Lazaroni como jogador foi bem curta, pois o goleiro do modesto São Cristóvão logo percebeu que seria melhor investir em outra área dentro do futebol. Foi então que ele trocou a meta pela sala de aula e se formou em educação física. Apesar de ser natural de Muriaé, foi no Rio de Janeiro que Lazaroni fez carreira.

O sucesso e os títulos estaduais conquistados por Flamengo e Vasco, este campeão por três anos consecutivos, elevou o status do treinador. Com a chegada de Ricardo Teixeira à Confederação Brasileira de Futebol, Eurico Miranda ganhou espaço dentro da entidade. Foi dele, então dirigente do Vasco, a indicação de Lazaroni.

Com Lazaroni, o Brasil conseguiu quebrar um tabu de 40 anos. Ao vencer o Uruguai por 1 a 0, no Maracanã, e conquistar a Copa América de 1989, a seleção brasileira voltou e levantar um troféu que não erguia desde 1949. Com jogadores como Bebeto, Romário e Careca à disposição, a expectativa era de que o Brasil fizesse uma boa Copa do Mundo em 1990, na Itália.

Apesar de a seleção vencer os três jogos da primeira fase – Escócia, Costa Rica e Suécia, todos por 1 a 0 –, foi justamente quando caiu para a Argentina, nas oitavas de final, que a equipe teve sua melhor atuação. Na entrevista oficial, depois do jogo, Lazaroni não deixou barato. “Esse futebol feio é que tem obtido vitórias. O Brasil merecia um melhor resultado, mas, infelizmente, não aconteceu”.

“Lazaronês” O jeito complicado e até difícil de explicar como o time jogaria ou como se comportou na partida fez com que a imprensa da época criasse o termo “lazaronês”, que, de acordo com os repórteres, era a língua falada pelo treinador da seleção brasileira. “O que vem primeiro no jogo é não tomar o gol. Depois vamos estabelecer os gols”, dizia o treinador. Sem entender as críticas e as brincadeiras dos torcedores e jornalistas, Lazaroni se defendia. “Será que as pessoas não entenderam uma proposta?” Ao todo, ele comandou a seleção brasileira em 35 partidas, com 21 vitórias, sete empates e sete derrotas. A última delas, é claro, diante da Argentina, no dia 24 de junho de 1990, em Turim.

Propaganda. Técnico da seleção brasileira, sobrenome italiano e Copa do Mundo na Itália. Todos esses ingredientes fizeram Sebastião Lazaroni se tornar garoto-propaganda de uma montadora de veículos durante o Mundial de 1990

Carreira. Sem espaço no futebol brasileiro, Lazaroni continua na ativa. Ele já passou por China, Japão, Turquia e Portugal. Atualmente, está no Qatar SC e, em março, conquistou a QNB Cup, que se assemelha à da Copa do Brasil

Seleções. Além de treinar a seleção brasileira, Lazaroni passou por outras equipes nacionais, sem brilho em nenhuma delas. Ele também comandou a Jamaica, por duas vezes, e o Qatar

 

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave