Juros para o consumidor sobem 3,5 vezes mais do que a Selic

De abril de 2013 para cá, taxas anuais passaram de 87,97% para 100,76% para pessoas físicas

iG Minas Gerais |

Dinheiro caro. Mercado elevou os juros para o consumidor mais do que o Banco Central elevou a taxa básica de juros da economia
DANIEL IGLESIAS/O TEMPO
Dinheiro caro. Mercado elevou os juros para o consumidor mais do que o Banco Central elevou a taxa básica de juros da economia

As taxas de operações de crédito subiram novamente em maio, pela 12ª vez consecutiva, apurou a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). Em pontos porcentuais, as elevações superam as recentes altas da Selic, informou a instituição. De abril do ano passado a abril deste ano, a taxa Selic passou de 7,25% para 11,00% ao ano, alta de 3,75 pontos porcentuais. No mesmo período, a taxa de juros média para pessoa física subiu de 87,97% ao ano para 100,76%, aumento de 12,79 pontos porcentuais, 3,5 vezes mais do que a Selic, de acordo com a Anefac.  

Na análise de março de 2013 a maio de 2014, as operações de crédito para pessoa jurídica subiram 5,96 pontos porcentuais, ao passar de 43,58% para 49,54% ao ano. Cinco das seis linhas de crédito para pessoa física pesquisadas em maio subiram: juros do comércio, cheque especial, CDC bancos-financiamentos de automóveis, empréstimo pessoal-bancos e empréstimo pessoal-financeiras. A taxa de cartão de crédito se manteve estável.

Na média, a taxa de juros subiu de 5,96% ao mês em abril para 5,98% em maio, a maior registrada deste agosto de 2012 (6,02%). Todas as linhas de crédito para pessoa jurídica pesquisadas apresentaram alta em maio, com taxa média de 3,41% ao mês. Em abril, a taxa média era de 3,39% ao mês.

O resultado de maio também é a maior taxa registrada desde agosto de 2012, quando chegou a 3,44%. A Anefac considera nas linhas de crédito para pessoa jurídica o desconto de duplicatas, capital de giro e conta garantida. O diretor executivo de estudos e pesquisas econômicas da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, relaciona as elevações nos juros à expectativa de que o Banco Central elevasse novamente a taxa Selic em maio e também à percepção negativa quanto aos índices de inflação e crescimento econômico.

No mercado, a perspectiva é de que, com a esperada estabilidade da Selic nos próximos meses, as taxas de juros das operações de crédito também se mantenham inalteradas, a menos que haja aumento da inadimplência neste período.

Os economistas consultados pelo Banco Central na pesquisa Focus mantiveram a previsão para a taxa Selic no fim de 2014 em 11,00% ao ano. Para 2015, a mediana ficou estável em 12%. Há quatro semanas, essas projeções eram, respectivamente, 11,25% ao ano e 12,25% ao ano. A taxa básica de juros está em 11,00% ao ano desde a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que ocorreu em 27 e 28 de maio. A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 15 e 16 de julho.

Comércio, cheque especial e CDC tiveram fortes reajustes Brasília.Os juros subiram de forma abrangente no país. No comércio, a taxa mensal em maio foi de 4,62% e 71,94% ao ano, ou 0,04 ponto percentual acima da taxa de abril. Evolução semelhante se verificou no caso do cheque especial, que cobrou, em média, juros mensais de 8,22% (158,04% no ano) - taxa mais alta desde os 158,61% contabilizados em maio de 2012. Em relação ao Crédito Direto ao Consumidor (CDC) nos financiamentos para a compra de automóveis, os juros ficaram, em média, 1,12% mais altos, ou 0,02 ponto percentual a mais do que em abril. No mês, a taxa variou 1,8% para cima, e em 12 meses se expandiu 23,87%.

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