Trabalho de graça, recompensa sem preço

iG Minas Gerais | Daniel Ottoni |

Produção. Zantôni, além de cantor também é escritor e já publicou quatro livros
Mariela Guimarães
Produção. Zantôni, além de cantor também é escritor e já publicou quatro livros

O taxista José Antônio de Souza pode ser considerado uma “figura folclórica”, a começar pelo apelido. Aproveitando o Z do sobrenome e a pronúncia do seu nome composto, ele não pensou duas vezes para se autodenominar “Zantôni”. “Tem muito José Antônio na praça. Tive que pensar em uma forma de ter um nome diferente dos outros”, explica.

O motorista, de 73 anos também ataca de cantor e compositor. Ele criou um total de 12 músicas, uma para cada Estado que irá sediar jogos da Copa. Todas estão em um CD que foi gravado com ajuda de amigos instrumentistas. Nas letras, referências turísticas e históricas de cada local, como a Estrada Real, em Minas Gerais, e Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso do Sul, apenas para dar dois exemplos. “Foi um trabalho árduo de dois anos pesquisando, elaborando as músicas, ritmando-as e gravando. Recorri a muitas revistas de turismo para conhecer alguns lugares que são mais famosos de cada Estado. Não critico a Copa do Mundo nas músicas. Pelo contrário, são obras edificantes”, indica. O carisma de Zantôni, que fez todo o investimento com recursos próprios, rendeu a ele uma enciclopédia, dada de presente por um dos seus clientes. “Esse livro me ajudou muito para conhecer melhor as cidades e os Estados. Foi uma colaboração importante no meu trabalho de pesquisa”, agradece. O disco é vendido diariamente durante as corridas, mas também pode ser encontrado na internet pelo site www.taxistaescritor.blogspot.com. A página da internet exibe vídeos que mostram as canções sendo tocadas com imagens ilustrativas de cada local ou atração citada. Artista. Antes do lançamento do seu mais novo trabalho, ele já havia composto mais de 80 canções sobre Minas Gerais. Mesmo sem conhecer o Estado como gostaria, ele conseguiu mostrar, por meio das canções, algumas das atrações mineiras. “Infelizmente, faltaram alguns recursos para que eu viajasse e conhecesse de perto tudo que aparece nas músicas. As minhas viagens são mais teóricas do que práticas”, brinca. Assim que um passageiro entra em seu táxi, Zantôni não perde tempo e logo apresenta seu trabalho autoral, que foi criado ao lado de cinco músicos, todos remunerados pelo motorista, da forma como foi possível. Um deles, inclusive, é o responsável por ajudá-lo nas postagens e manutenção do blog.

Sucesso de vendas complementa renda

Em cinco meses de tentativas diárias, Zantôni já vendeu 460 dos 500 CDs que foram produzidos. Cada um tem o preço de R$ 15, dando um importante suporte financeiro à sua renda. “Sempre pergunto às pessoas se posso lhes mostrar o meu trabalho. Tem gente que não gosta”, diz. Antes mesmo de a Copa começar, todo o estoque deve acabar, comprovando o interesse do público por algo tão diferente e inusitado. Além de motorista, cantor e compositor, Zantôni também dá uma de escritor, com quatro livros publicados. A inspiração já rendeu cinco CDs, sem contar o trabalho sobre a Copa, que pode ser considerado seu maior sucesso. Mais músicas estão prontas, em quantidade suficiente para dois trabalhos. Casado e pai de três filhos, ele espera ter o apoio de alguma empresa cultural para ajudá-lo na divulgação. Entre as criações que lhe deram maior prazer, estão as homenagens aos Estados do Mato Grosso e da Bahia. “O ritmo das músicas sobre esses Estados ficou muito bom”, admite.

 

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