Permanência das famílias no poder é herança negativa

iG Minas Gerais | Tâmara Teixeira |

Lael Varella aposta que seu filho terá mais votos do que ele
Rodrigo Costa / Divulgacao
Lael Varella aposta que seu filho terá mais votos do que ele

A permanência de famílias no poder poderia ser apenas um caminho natural, mas, na avaliação de cientistas políticos, os chamados “clãs” evidenciam uma característica da política brasileira baseada na cultura de troca de interesses.  

“A perpetuação de sobrenomes no poder é altamente negativa, pois significa que temos um voto personalizado e pouco ligado a questões temáticas. Essa lógica demonstra que temos uma estrutura de troca. Se fosse uma votação por identificação, haveria renovação”, afirma o cientista político da Universidade Federal de Minas Gerais Leonardo Avritzer.

O professor avalia que a transferência de votos não é tão automática quanto pensam os políticos, e sua eficácia depende da característica da base eleitoral do patriarca. “Se a base do atual parlamentar é amparada em benefícios que ele levou à região, ele tem algum nível de transferência. Mas se é uma pessoa com uma liderança personalizada, ou com uma única bandeira, a transferência é mais difícil”, avalia.

Para o professor da Universidade Federal do Paraná Adriano Codato, diante de uma lista enorme de candidatos, a referência de um sobrenome ajuda, e muito. “A transferência é mais fácil em partidos de direita, entre candidatos com votação concentrada em uma única região. E é menos comum em nomes de siglas de esquerda, com voto pulverizado”. 

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