Filhos querem herdar capital político e decolar para Brasília

Quatro deputados federais de Minas anunciaram que vão deixar a política neste ano, mas estão preparando os filhos como sucessores; alguns já começaram a pré-campanha, percorrendo o Estado e apresentando propostas

iG Minas Gerais | Tâmara Teixeira |

Aposentado. Antônio Roberto  deixará a vida pública por motivo de saúde, mas será cabo eleitoral do  filho
Márcia francisco / divulgação
Aposentado. Antônio Roberto deixará a vida pública por motivo de saúde, mas será cabo eleitoral do filho

A bancada mineira na Câmara Federal passará por uma renovação neste ano. Ao menos quatro deputados já anunciaram que não irão disputar a reeleição. Mas a reciclagem pode ser apenas parcial. Para esse grupo, as cadeiras que irão deixar não estão exatamente vagas e já têm dono: os próprios filhos.

Newton Cardoso (PMDB), Narcio Rodrigues (PSDB), Lael Varella (DEM) e Antônio Roberto (PV) encerram em 2014 suas trajetórias em Brasília. Todos os parlamentares já começaram a trabalhar para que seus herdeiros fiquem também com os dividendos políticos. Sem nunca terem exercido um cargo eletivo, os estreantes contam com a transferência de votos pelo sobrenome, mostram que estão com o discurso ensaiado e dizem já ter definido as áreas em que vão atuar. Newton Cardoso Júnior (PMDB), 33, reconhece que ingressar na vida pública foi ideia do pai, um dos mais polêmicos e antigos políticos em atividade no Estado. Mas, em pouco tempo, o jovem – que foi preparado desde os 16 anos para gerenciar a fortuna da família – diz que aderiu à proposta. Em pré-campanha, ele já visitou mais de cem cidades. “A transferência de votos pode ocorrer se eu trabalhar e tiver um discurso sólido”, afirma. Júnior já frequenta reuniões do partido em Brasília e conta que estuda o regimento interno da Câmara, além de fazer media training (treinamento para lidar com a imprensa). Ao contrário do colega de Câmara, Antônio Roberto (PV) diz que nunca incentivou o filho, Daniel Roberto (PV), 35. “Não acho que será uma transferência tão direta. O meu voto é de opinião. As pessoas não votam porque há um prefeito, um deputado e vereador me apoiando. Votam em mim”, afirmou o deputado, que sai de cena para cuidar da saúde. Daniel diz que tem experiência. “Coordenei as duas campanhas do meu pai. Na prática, sou seu chefe de gabinete. Vou trabalhar muito pela cultura e pelo esporte”, afirma o psicólogo, que também é paraquedista. Narcio Rodrigues, licenciado como secretário de Estado de Ciência e Tecnologia, diz que o filho, Caio Narcio, 27, está amadurecido. O jovem é uma das lideranças da juventude do PSDB. “Não tenho mais motivação. Caio vive o amadurecimento político e isso me dá tranquilidade para que eu possa garantir que a minha região continue com um assento na Câmara”, disse. Confiante, o jovem não prevê dificuldades para se eleger. “Meu pai me deixa uma base bem-sustentada. Além disso, tenho penetração num segmento que ele não tinha, que é a juventude” afirma. Caio Narcio diz que pretende atuar em capacitação de jovens, emprego e democratização do ensino superior. Pai e filho estão viajando em pré-campanha pelo interior, principalmente no Triângulo e no Sul de Minas. Reverso. Herdeiro político do pai, o deputado federal Júlio Delgado (PSB) pode “retribuir” a ajuda. Filho do ex-deputado estadual e ex-prefeito de Juiz de Fora, Tarcísio Delgado, Júlio pode abrir mão do posto para disputar o governo de Minas. Neste caso, o patriarca disputaria a cadeira dele na Câmara, cargo que o próprio Tarcísio já ocupou.

“Votar em mim é uma forma de dizer ‘obrigado’ ao Lael Varella” Segundo deputado federal mais votado no Estado, Lael Varella (DEM) acredita que o seu filho, o empresário Misael Varella (DEM), 59, pode superá-lo nas urnas. Já o herdeiro não esconde que conta com o capital político do pai para se eleger. O pré-candidato confia, principalmente, na popularidade do pai, que criou um hospital filantrópico em Muriaé, na Zona da Mata. “Vou dar continuidade ao trabalho dele. Tenho confiança nessa transferência de votos, na gratidão das pessoas, dos doentes e dos familiares deles. Muitos têm meu pai como um ídolo. Votar em mim é uma forma de dizerem obrigado ao Lael”, afirmou Misael. Segundo o democrata, se eleito, ele continuará garantindo recursos ao hospital da família. “Vou continuar propondo muitas emendas, principalmente federais, ao hospital para aumentar os atendimentos”, disse.

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