Descendo a ladeira

iG Minas Gerais |

Várias capitais brasileiras experimentaram na semana passada a, para muitos, incômoda ação de movimentos populares, dispostos a trazer para as ruas manifestações de inconformismo de grupos ou categorias com as realidades a seu serviço. Greves de metroviários em São Paulo, de lixeiros em Recife, de professores e funcionários da saúde estaduais e municipais de cidades da região metropolitana de Belo Horizonte, de policiais civis e militares e inúmeras outras, Brasil afora. Vias públicas interditadas, pessoas impedidas de trabalhar, estudar, cumprirem seus compromissos e funções, pneus queimados, veículos depredados, comércio, indústria, serviços, uma enormidade de interesses afetados por tais movimentos. Na sexta-feira, um pequeno grupo de estudantes protestou em BH defronte ao colégio Marista, para pedir a implantação do passe livre na utilização do transporte coletivo, tumultuando o acesso a serviços públicos e a volta à casa de muitos que se despediam do trabalho de uma semana. Apesar de muitas vezes avaliados como incômodos e inoportunos, outras vezes tidos como oportunistas e desonestos nas suas postulações, os movimentos confirmam o que a proximidade das eleições há muito evidencia: a falta de representatividade dos partidos e dos políticos atualmente no Brasil, fazendo com que o povo banque, ao seu estilo, as próprias demandas. Na semana passada, esse foi o tema também discutido em vários fóruns brasileiros. As ruas têm sido o palco preferido para demonstrar que vivemos no Brasil o império da democracia, expresso na absoluta liberdade de manifestação do que pensa cada um ou seu grupo. Ainda que bagunçando o coreto ou tumultuando a vida dos que estão noutras paradas, os que querem protestar são respeitados. Até a polícia, para surpresa dos incomodados, é econômica nos confrontos com os quais se depara, frustrando muitos que entendem tais movimentos com sua lógica particular e que as circunstâncias colocam no outro lado da mesa. Assim é comum ouvirmos o coro dos que recomendam cassetete e bolacha como melhor solução das divergências. Somos recentes nas práticas democráticas, o que nos faz também seletivos: liberdade sempre, de greve e de protestos inclusive, mas desde que não afetem meu conforto, meus caminhos e meu metrô. Se as paralisações e os protestos, como se desenvolvem, pelos seus resultados, não nos servem, por outro lado, o descompromisso e a falta de programas dos partidos reforçam nos eleitos a falta de representatividade para o exercício de seus mandatos. A menos de 120 dias das eleições, essa realidade está demonstrada nas últimas pesquisas eleitorais divulgadas nacionalmente, que evidenciaram o alto grau de indecisos, de rejeição e dos que por isso vão anular seu voto. Nosso patrimônio político é pobre, nossos caminhos estreitos. Que Brasil seremos e que espaço queremos ocupar no mundo, com tantos equívocos a resolver? Por que não irmos às ruas para lutar por uma agenda de reformas, já? Vai e volta A substituição do nome de Dilma por Lula, podemos esperar, vai ser decidida ainda neste mês de junho. O PT vai colocar na cesta da ‘presidenta’ todo o desgaste gerado nas ruas pela realização da Copa.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave