Trabalho de graça, recompensa sem preço

iG Minas Gerais | Lohanna Lima |

O norte-americano Karl Whitemarsh, que se considera belo-horizontino de coração, marcou seu retorno à capital mineira nesta época justamente para curtir a cidade e o futebol, um dos seus esportes favoritos, participando como voluntário do Mundial
Reprodução / Facebook
O norte-americano Karl Whitemarsh, que se considera belo-horizontino de coração, marcou seu retorno à capital mineira nesta época justamente para curtir a cidade e o futebol, um dos seus esportes favoritos, participando como voluntário do Mundial

O sucesso de uma Copa do Mundo depende de diversos fatores, que variam desde a organização até o espetáculo em si. Prática comum em grandes eventos, o serviço voluntário será utilizado também no Brasil. Cerca de 14 mil pessoas foram preparadas pela Fifa para trabalhar nas 12 cidades-sede. Em Belo Horizonte, serão 1.100. Pelo Brasil Voluntário, programa criado pelo governo federal, 7.000 voluntários estão aptos a trabalhar no Mundial, sendo que a expectativa é a de que 800 atuem na capital mineira. O norte-americano Karl Whitemarsh, 23, está morando pela segunda vez em Belo Horizonte, cidade que escolheu para realizar intercâmbio entre os anos de 2011 e 2012. A experiência na capital mineira lhe agradou tanto que a volta foi planejada em um período estratégico: a realização da Copa do Mundo. Durante o evento, ele será um dos voluntários que ajudarão na comunicação com os turistas. Declaradamente apaixonado pela cidade e pela sua culinária, Karl costuma dizer que “já se considera um mineiro de coração”. Formado em letras pela UFMG, ele conciliará dois trabalhos voluntários durante o Mundial. Karl será tradutor na Secretaria Municipal Extraordinária para a Copa e ainda fará apoio na Fan Fest. “Traduzo de tudo, fala do prefeito e do secretário, apresentações, material para imprensa. E, por meio do programa Brasil Voluntário, consegui uma vaga para trabalhar na Fan Fest, o que, pra mim, será a opção mais legal de curtir os jogos e a melhor oportunidade de ver alguns shows”, explica. Em meio a algumas gírias, como “tipo assim” e “muito doido”, Karl conta um pouco de sua relação com o futebol e com a cidade. “É um dos poucos esportes que consigo acompanhar e de que gosto muito. Adoro a comida de Belo Horizonte e espero, ansiosamente, todos os dias, pela hora do almoço”, diverte-se o norte-americano. Se alguns brasileiros se mostram pessimistas com a realização do Mundial, o visitante de fora tem uma visão diferente sobre o evento. “A realização da Copa do Mundo é bem polêmica por aqui, mas acho que é uma boa chance para o Brasil mostrar ao mundo o que tem de melhor. O país tem muitas coisas boas, e isso deve ser compartilhado”, afirma. Oportunidade. Conhecer pessoas diferentes, treinar o espanhol e participar da organização de um Mundial. Esses motivos foram suficientes para que a servidora pública Geralda Marques,58, se inscrevesse no programa de voluntários para a Copa do Mundo. Ela planejou suas férias com antecedência justamente para participar de todo o processo, desde os treinamentos até a atuação na Copa. “Tinha muita curiosidade de ver como funciona a organização e a participação indireta”, revela. Apoiada pelos filhos, Geralda diz não se importar com algumas críticas que recebe por ter escolhido o trabalho voluntário durante os jogos. “As pessoas sempre dizem a mesma coisa, falam que sou louca de trabalhar de graça para o Brasil, mas não vejo dessa maneira. Vou trabalhar no entorno do Mineirão e na Fan Fest. Serão muitos turistas e uma mistura muito grande de culturas e eu quero presenciar isso”, declara Geralda.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave