Obra elenca nomes ignorados, mas relevantes

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Nascida em 1914, Carolina de Jesus é um dos nomes no dicionário
artecultura / divulgação
Nascida em 1914, Carolina de Jesus é um dos nomes no dicionário

O primeiro verbete do “Novo Dicionário Biográfico de Minas Gerais: 300 Anos de História”, que será lançado hoje, no Jardim Interno do Palácio das Artes, sintetiza bem a concepção na qual a obra, que traz a descrição da vida de profissionais que influenciaram no desenvolvimento do Estado, se ergueu.  

O nome é de Nagib Abdo, médico natural de São Sebastião do Paraíso, que apesar de não ser conhecido como o mártir José da Silva Xavier, o Tiradentes, é o autor da primeira publicação científica sobre o tratamento da esquizofrenia pelo choque glicêmico no país, ainda em 1938.

Assim como Abdo, vários outros nomes menos conhecidos da história ensinada nas escolas fulguram na obra. Foi o professor João Antônio de Paula o responsável pela pesquisa para eleger advogados, médicos, cientistas e até mesmo educadores, geólogos e mineralogistas. “Eu me diverti muito fazendo essa pesquisa e me senti até íntimo de alguns dos pesquisados, mas foi um verdadeiro trabalho de detetive e, por consequência, muito desafiador”, afirma o autor ao dizer que foi o responsável por cerca de 600 verbetes.

O organizador do dicionário e também professor, Amilcar Vianna Martins Filho, exemplifica o decisão estrutural. “São pessoas que ajudaram a fundar a Cemig, por exemplo, que foram importantes para decisões econômicas para o Estado, que desenvolveram trabalhos científicos de importância”, elenca.

O escopo cultural da obra segue a mesma proposição. Estão listados, “lado a lado”, gigantes da literatura como Guimarães Rosa e Carlos Drummond de Andrade, e Carolina de Jesus, que mesmo tendo certo reconhecimento, merece ser mais lembrada. “Ela escreveu um livro de memórias muito importante para a literatura nacional (“Quarto de Despejo”) e mesmo assim há muitos mineiros que nem sequer a conhecem”, defende Martins Filho, que ressalta: “Nossa ideia não foi de prestar homenagem, mas sim de selecionar pessoas que tiveram uma contribuição específica na história”.

Outro cuidado foi o de lembrar daqueles especialistas que apesar de terem nascido em outro país, viveram e encontraram em Minas Gerais o local para desenvolver seu trabalho. Esse é o caso do naturalista dinamarquês Peter Lund, do engenheiro alemão Heinrich Gerber e do músico e advogado italiano Sérgio Magnani.

Continuação. Antes mesmo do lançamento, os professores envolvidos na produção do livro já pensam em uma segunda edição. “Nossa ideia é mobilizar ainda mais pesquisadores e talvez conseguir um pouco mais de tempo para fazer uma segunda versão ainda mais atualizada”, diz de Paula.

O colega de trabalho deixa claro que a ideia é continuar com a abrangência. “Nos queríamos ter incluído nomes de esportistas, quem sabe não conseguimos fazer na próxima edição”, prevê.

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