Nomes que fizeram história

Livro reúne 1.600 biografias de profissionais de diversas áreas que foram relevantes para o desenvolvimento de Minas

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Divisão. Com objetivo de abordar áreas distintas, o livro traz nomes de artistas, como Lygia Clark
luiz carlos david / divulgação
Divisão. Com objetivo de abordar áreas distintas, o livro traz nomes de artistas, como Lygia Clark

Não muito tempo atrás, fazer uma pesquisa escolar ou mesmo sanar uma curiosidade sobre determinado assunto envolvia o ritual de sentar na cadeira e pesquisar em livros. Nessa época, enciclopédias, como a “Barsa”, eram convenientes ao propósito. Daí veio a internet e os numerosos pesados livros que compunham a série foram pouco a pouco sendo menos utilizados.  

O que não significa, porém, que as informações encontradas na rede de computadores venham de uma fonte confiável (acredite, nem tudo que está na Wikipedia é correto). Por isso, obras como o “Novo Dicionário Biográfico de Minas Gerais: 300 Anos de História”, que será lançado nesta segunda no Jardim Interno do Palácio das Artes, são ainda fundamentais. O calhamaço de mais de 500 páginas contém 1.600 nomes que, de alguma forma, influenciaram a história do Estado desde os tempos do Império até os dias de hoje.

Nesse contexto, o exemplar ganha destaque por seu alcance. Há nomes de imediato reconhecimento, como Juscelino Kuitschek de Oliveira, até anônimos professores, engenheiros e empresários. “É comum dicionários biográficos da elite política. Mas optamos por fazer algo diferente, uma obra que listasse nomes também de outros segmentos, mas que desempenharam um papel relevante”, comenta o professor e organizador do livro, Amilcar Vianna Martins Filho.

“A ideia é compreender o que aconteceu em Minas Gerais, as dificuldades e os gargalos a partir não só de uma visão institucional, representada aí pelos políticos e nomes mais conhecidos, mas também do ponto de vista mais individual, de profissionais que fizeram parte de forma mais anônima. Dessa forma, ter uma visão do marco a partir do micro”, diz Martins Filho.

Com as premissas em mente, ele convidou outros pesquisadores para contribuir com o ambicioso projeto. Assim, os professores da UFMG Veralice Cardoso Silva, João Antônio de Paula, Alexandre Cunha e Marcelo Godoy, além de Marida do Carmo Salazar e Cleber Araújo, foram os responsáveis pela obra, com o reforço de discentes do curso de história da universidade.

E, mesmo com vários olhares sobre a escolha dos nomes, o processo foi delicado. “Uma lista é sempre falha, arbitrária. Depois de várias reuniões e discussões, conseguimos traçar o escopo do projeto que deveria, além de ser abrangente em termos de áreas, conter apenas nomes de pessoas mortas. Esse critério também evita constrangimento e expectativas”, afirma o organizador, que em seguida completa: “Somente os governadores do Estado vivos entraram”.

O motivo para essa exceção é didático. Cerca de 2.000 livros foram distribuídos para escolas públicas estaduais e municipais de Belo Horizonte. “Fizemos um livro de fácil entendimento para jovens do ensino científico e também para adultos que tenham interesse na história de Minas”, comenta.

Apesar do esforço do grupo e alguns hiatos durante os quatro anos de trabalho para formular o livro, Martins Filho admite que o dicionário é uma obra incompleta. “Poderíamos ter um milhão de nomes, mas seria impossível fazer um projeto dessa grandeza. Além disso, tivemos que lançar o livro às pressas porque o pessoal do Ministério da Cultura já estava me cobrando”, comenta o organizador, antes de explicar que o livro é financiado pela Lei Rouanet.

Fato que, no entanto, não tira o mérito da produção para a professora Veralice, mesmo com a prontidão inerente à internet. “Na web os dicionários apresentam uma abertura das identidade, ou seja, sempre é possível inserir mais ou novas informações. Nosso dicionário é fechado, mas concebido sob um recorte organizacional como nenhum material encontrado na rede. Você não vai encontrar esse arranjo em lugar algum”, comenta a professora, responsável pela seleção de políticos mineiros.

Agenda

O quê. Lançamento do livro “Novo Dicionário Biográfico de Minas Gerais: 300 Anos de História”

Quando. Nesta segunda, às 19h30

Onde. Jardim Interno do Palácio das Artes (avenida Afonso Pena, 1.537, centro)

Quanto. Entrada franca

 

Ficha

Obra. “Novo Dicionário Biográfico de Minas Gerais: 300 anos de História”, 535 págs., editado pelo Instituto Cultural Amilcar Martins, R$ 100 (após o lançamento poderá ser encontrado nas livrarias Quixote e Ouvidor).

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