Líderes palestino e israelense se reúnem com o papa no Vaticano

Em encontro sem precedentes, Francisco pediu que sejam derrubados ‘os muros da inimizade’

iG Minas Gerais |

Cidade do Vaticano, Vaticano. O papa Francisco conseguiu reunir neste domingo (8) os presidentes israelense e palestino em um evento sem precedentes, que o Vaticano descreveu como um gesto para “recriar um desejo, uma possibilidade” de relançar o processo de paz paralisado no Oriente Médio. Entre o israelense Shimon Peres e o palestino Mahmoud Abbas, o pontífice pediu que sejam derrubados “os muros da inimizade”.

“É preciso mais coragem para fazer a paz do que a guerra”, disse o papa diante de Peres e Abbas. Ambos disseram que seus povos desejam ardentemente a paz. “Uma paz entre iguais”, disse o presidente israelense. “Uma paz para nosso povo e para nossos vizinhos”, disse o presidente da Autoridade Nacional Palestina.

O Vaticano minimizou que qualquer expectativa de que a reunião – anunciada como uma “pausa da política” – leve a quaisquer avanços imediatos nos problemas tortuosos da região e diz que não está se intrometendo em questões regionais. Mas o apelo do pontífice foi claro, ao afirmar que os dois presidentes deveriam responder aos anseios de paz de seus povos.

Recusa. O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, não participou do encontro e se recusa a lidar com o governo palestino, apoiado agora pelo grupo islâmico Hamas. Peres deixa o cargo no próximo mês. Netanyahu não fez comentários diretos sobre a reunião, mas em declarações em uma base da polícia paramilitar, em Jerusalém, ele sugeriu que a oração não é um substituto para a segurança.

“Por milhares de anos, o povo de Israel tem orado pela paz diária. Mas até que a paz venha, vamos continuar a nos fortalecer para que vocês possam continuar a defender o Estado de Israel”, disse.

Para analistas, o encontro no Vaticano enfraquece o pedido de Netanyahu para que outros países não reconheçam o governo palestino. O fato de o movimento ousado de Francisco ter conseguido trazer os dois presidentes para se reunirem mostra seu desejo de envolver líderes políticos, oferecendo diálogo inter-religioso como um bloco de construção.

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