Torcides do Chile marcam presença em treino na Toca da Raposa II

Os estrangeiros, que moram em Belo Horizonte, agradeceram pelo sorte de seu país se hospedar na cidade que escolheram para viver

iG Minas Gerais | DANIEL OTTONI |

As quase quatro décadas em BH fizeram Luiz Antonio Palma perder quase todo o sotaque de seu país natal
DANIEL OTTONI - WEBREPORTER
As quase quatro décadas em BH fizeram Luiz Antonio Palma perder quase todo o sotaque de seu país natal

A bandeira chilena hasteada na Toca da Raposa II deixa claro que, pelo menos no momento, o território no centro de treinamento tem novo dono. O local que costuma abrigar a delegação do Cruzeiro será o quartel-general do país sul-americano na Copa do Mundo.

Cientes disso, alguns chilenos não perderam a chance de estar perto dos principais ídolos do seu país.

Durante o treino da manhã deste domingo, torcedores foram para a porta da Toca para tentar uma foto, autógrafo ou, quem sabe, uma palavra ou aceno de um ou outro atleta.

"Quero muito ver o Vidal ou o Sanchez. Eles são nossos principais jogadores. Acredito muito que podemos ser campeões", vislumbra o pequeno e desenvolto Arturo, de apenas nove anos.

Ao lado do pai, o estudante de doutorado Felipe Zurita, Arturo foi para a porta do CT cheio de esperança para sair dali com alguma lembrança. Há um ano e três meses, eles vivem em Belo Horizonte, após decisão de Felipe de vir para Belo Horizonte para fazer um curso, na UFMG, na área de educação.

"Foi uma feliz coincidência o Chile ficar aqui. Sabemos que não será muito fácil ver algum jogador, a blindagem está grande. Mas só de vir para cá e sentir essa energia já vale a pena", comenta Zurita.

Apesar da grande vontade, as lembranças que pai e filho levarão da seleção de seu país em Belo Horizonte serão de muita torcida e quase nenhum contato. Após tentar comprar ingressos para os jogos do seu país, o máximo que Zurita conseguiu foi adquirir bilhetes para Bélgica e Argélia, em Belo Horizonte.

Sem sotaque

Outro chileno que foi até a entrada da Toca da Raposa foi Luiz Antonio Palma. Morando em Belo Horizonte há 34 anos, o 'né' ao final de cada frase denuncia a longa presença na capital, ao lado do pouco sotaque castelhano. Palma concedeu várias entrevistas e, em uma deles, referiu-se à seleção chilena como 'la vermelha' ao invés de 'la roja', como é tradicionalmente chamada.

"É um sonho ter o Chile em BH. E vou alimentar o sonho de ver meu país campeão do mundo. É preciso acreditar. A Copa é um campeonato curto e tem que se jogar tudo o que pode desde o primeiro jogo. Se passarmos da primeira fase, chegaremos embalados para a sequência", destaca.

Depois de vir passear na capital mineira, Palmas gostou do ambiente e decidiu que ali seria a sua nova casa. Ele mal esperava que seu lar também seria a sede de sua seleção quase quatro décadas depois. A insistência dele, de tentar entrar no CT ou ver alguma ação por entre os portões, não foi bem sucedida.

Palmas voltou para casa decepcionado com a falta de contato, mas confiante do que a Chile pode fazer dentro de campo.