Família de porteiro acusa PM de atirar e matar inocente no Ressaca

Ladões de veículos em fuga teriam se escondido na casa da vítima, onde aconteceu a imperícia policial

iG Minas Gerais | Gustavo Lameira |

Um homem foi morto a tiros por militares no bairro Ressaca, em Contagem, na noite desse sábado (7). Conforme denúncia da família, os policiais já haviam rendido os suspeitos de um roubo de veículos, e mesmo assim, atiraram contra o porteiro Ronaldo Rodrigues de Souza, de 48 anos, que foi socorrido pelos próprios, mas que já teria deixado o local sem vida.

O crime aconteceu na José Martins Borges, 242, no lote onde há imóveis de diversos parentes. De acordo com Sandra  Rodrigues de Souza, dois homens roubaram um veículo e na fuga bateram em outro carro estacionado na porta da casa dela.

Na sequência, os suspeitos perceberam o portão aberto e invadiram a casa, com os militares em seu encalço. Ao ouvir o barulho da batida, a mulher da vítima correu com a filha para saber o que havia acontecido. Assim que desceu para o quintal, parte dos policiais seguiu para casa dela. Antes, a mulher avisou aos PMs que o marido estava deitado no quarto.

Ainda segundo Sandra, os suspeitos já estavam rendidos quando um terceiro militar subiu até a residência. Assustado e ainda sem saber direito sobre a situação, Ronaldo saiu pela janela, momento em que dois disparos foram feitos; um atingindo a parede e outro o porteiro, que caiu ferido em cima da laje da casa de outro irmão.

"Nos começamos a gritar, desesperados. Meu irmão era inocente, trabalhador, não tinha nada a ver com aquilo, e mesmo assim a polícia atirou nele. Depois disso, uns 15 minutos depois, eles desceram praticamente arrastando o Ronaldo. Ele já estava morto, mas eles levaram ele assim mesmo para a policlínica de Contagem", desabafou a irmã. Ainda de  acordo com o relato de Sandra, a unidade de saúde confirmou que a vítima já chegou ao local sem vida.

Ainda conforme denúncia da família, um policial teria zombado da filha de Ronaldo, enquanto ela dava sua versão da história, no 18º batalhão da Polícia Militar. 

O porteiro deixa mulher e três filhos.

A reportagem de O TEMPO fez contato com a Polícia Militar, que repassou o telefone do chefe da assessoria de comunicação da corporação, tenente-coronel Alberto Luiz Alves, mas o telefone não atendeu.

 

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave