Fundo da alma

iG Minas Gerais |

Felipão, em uma entrevista, disse que tem estratégias de emergência para usar durante as partidas e que, às vezes, resolve no momento. Essa é uma de suas qualidades. As decisões repentinas são mais arriscadas, porém, costumam ser mais brilhantes do que as planejadas e ensaiadas, desde que sejam feitas por um bom observador. Elas são também baseadas em conhecimentos técnicos, científicos. A diferença é que não são racionalizadas. Surgem do fundo da alma. A pessoa sabe, mas não sabe que sabe. Felipão citou duas situações de emergência, planejadas. Uma é a de colocar Jô e Fred juntos. Deve ser para jogar a bola na área, no fim da partida. É a tática do desespero. Fiquei preocupado. A outra seria escalar um terceiro zagueiro ou um zagueiro de volante, à frente dos outros dois. Só pode ser para segurar o placar. Felipão citou Henrique como opção. Fiquei ainda mais preocupado. Imaginava que entraria Dante, e David Luiz seria o volante-zagueiro. Felipão deveria trocar ideias com a psicóloga Regina Brandão sobre Neymar, que tem criado muitos atritos com os marcadores, que lhe fazem muitas faltas. Imagine se Neymar for expulso. Como sou um psicólogo de botequim, fiz cursos de psicanálise, quando jogava, percebi a importância dos fatores emocionais, gosto da participação de uma psicóloga, desde que o técnico, nessas situações, e não a psicóloga, converse com o jogador, como Felipão faz. Não se deve confundir psicologia esportiva com palestras de motivação. Antes da Copa de 1998, entrevistei, para a ESPN Brasil, o motivador da seleção brasileira. Foi o mesmo da Copa de 2006. Era amigo de Parreira e de Zagallo. Ele olhou para as câmeras e, como se fosse falar a coisa mais importante do mundo, disse: “Quem vai ser campeão não é a melhor seleção, e sim a que jogar melhor”. Genial! São os especialistas do óbvio.

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