Turma do general Blatter

iG Minas Gerais |

O general Costa e Silva explicava a seus ministros o Ato Institucional 5 que imporia ao país em 1968 quando uma voz discordante o alertou: “Presidente, o problema de uma lei assim não é o senhor, nem os que com o senhor governam o país. O problema é o guarda da esquina”. Era o vice-presidente Pedro Aleixo, mineiro de Mariana, incomodado com o endurecimento do regime militar. Meses depois, o próprio Aleixo seria uma das vítimas do regime que não o deixou assumir a presidência com o impedimento de Costa e Silva. Às vésperas de começar a Copa, a Fifa praticamente assume o comando do país, graças às leis previamente aprovadas pelo Congresso quando o anfitrião da Copa aceita uma das exigências do famoso “Caderno de Encargos”. O prefeito Marcio Lacerda foi vítima de uma descortesia por parte da prateleira de baixo da entidade e seus leões de chácara. Com tudo acertado com a própria entidade, que pediu que o chefe do executivo municipal desse, pessoalmente, boas-vindas às delegações, ele foi impedido de entrar na área de desembarque da seleção do Chile, no aeroporto de Confins. A alegação foi que a área reservada aos chilenos era muito pequena, improvisada, já que o governo federal não concluiu as obras que permitiriam o cumprimento do protocolo dela.

Prêmio ingrato. Incrível que justamente Belo Horizonte seja a primeira sede a experimentar o poderio da turma de Blatter. E logo com o comandante da cidade que fez a parte dela no cumprimento dos prazos das incumbências mais importantes. Das 12 obras de responsabilidade da capital mineira, oito ficaram 100% prontas e quatro estão faltando menos de 10% para a conclusão.

Engolindo. Por outro lado, a Fifa está sendo obrigada a passar o que nunca passou antes, como em São Paulo. Na cidade, o estádio da abertura da Copa tinha capacidade inicial prevista para 68 mil pessoas. Com a rasteira dada no São Paulo para beneficiar o Corinthians, saiu o Morumbi e entrou o Itaquerão. Como o tempo seria curto, a Fifa aceitou que a capacidade passasse para 66 mil.

Guela abaixo. A Fifa teve que aceitar nova redução e a Arena Corinthians terá somente 61.606 lugares na abertura do Mundial. Menos que no Mineirão, que ficou pronto no fim de 2011. Cuiabá, a sede mais contestada e empurrada guela abaixo através de ingerências políticas, não vai entregar nem 40% das obras prometidas.

Sem treino. O governo do Mato Grosso gastou R$ 26 milhões na construção do Centro de Treinamento Barra do Pari, que ontem foi vetado pela Fifa porque obras essenciais não foram concluídas a tempo. Lá, treinariam Chile e Austrália, na quinta-feira, véspera do jogo entre eles. Agora, farão apenas reconhecimento do gramado da Arena Pantanal.

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