Em 64 anos, BH foi do ar interiorano a metrópole

iG Minas Gerais | Rodrigo Freitas |

Nos anos 50, o bonde era o meio de transporte mais utilizado. A capital mineira tinha mais de 70 km de trilhos por 
onde o transporte coletivo corria de forma rápida
Arquivo Público de BH/Fundo Ascom - 1950
Nos anos 50, o bonde era o meio de transporte mais utilizado. A capital mineira tinha mais de 70 km de trilhos por onde o transporte coletivo corria de forma rápida

Na Belo Horizonte de 1950, vizinhos se conheciam e formavam uma verdadeira família dentro dos bairros. Os bondes eram o principal meio de transporte da cidade, e a energia elétrica ainda estava longe de chegar a todos os rincões da capital mineira. Na BH de 2014, os vizinhos mal se conhecem. Estrangulado, o transporte composto por ônibus, metrô e BRT está longe de suprir a crescente demanda de uma metrópole que quer ser moderna. Ao menos a luz deixou de ser um luxo, mesmo para os moradores dos bairros mais distantes.  

Em 64 anos, a população da capital mineira aumentou 6,7 vezes. Os desafios acompanharam esse crescimento, por vezes, desordenado. Os limites da cidade, antes bem delineados, hoje se confundem com os municípios vizinhos que compõem a região metropolitana. O contundente processo de conurbação transformou os problemas numa questão metropolitana.

Na tranquila cidade de 1950, um cidadão conseguia sair do bairro Carmo-Sion, na zona Sul da capital, e chegar à lagoa da Pampulha em 15 minutos. De bonde, era preciso fazer uma baldeação na praça Sete. Hoje, fazer o mesmo trajeto em tempo semelhante certamente demandaria o uso de um helicóptero.

“Os tempos eram outros. As pessoas viviam com mais tranquilidade. A gente não tinha o conforto de hoje, mas a vida era melhor”, diz o aposentado Mário Vaz, morador do bairro Horto, na região Leste de Belo Horizonte. De casa, ele se recorda da movimentação no então recém-construído estádio Independência, inaugurado às vésperas do Mundial de 1950. “Naquela época, não tinha metrô. Mas parecia que era incrivelmente mais fácil chegar ao campo”, relembra.

PROGRESSO. Embora ainda conservasse um ar interiorano, foi justamente a partir de 1950 que Belo Horizonte começava a viver um processo de verticalização. As primeiras construções da cidade começavam a dar lugar aos prédios mais altos. A acolhedora Belo Horizonte nunca mais seria a mesma.

Gigantes ainda eram pequenos Se hoje Atlético e Cruzeiro são grandes potências do futebol sul-americano, em 1950, a história não era bem essa. Naquela época, o Atlético já despontava como um time de massa, mas estava longe de mover as multidões que move hoje. O América era a outra grande força do futebol mineiro, e o Cruzeiro era ainda um clube que buscava seu espaço. O Galo foi o campeão mineiro daquele ano. A competição foi disputada por apenas sete clubes, em sistema de pontos corridos, em turno e returno. Times como o Metalusina, de Barão de Cocais, e o Sete de Setembro, de Belo Horizonte (que se tornaria o dono do Independência) disputaram a competição. Aliás, o estádio do Horto se tornava em 1950 o grande palco do futebol mineiro e sediaria a maior zebra da história das Copas, quando os Estados Unidos venceram a Inglaterra por 1 a 0 e surpreenderam o mundo. Ainda em 1950, o futebol mineiro daria o primeiro passo para sua internacionalização. Campeão mineiro, o Atlético sagrou-se Campeão do Gelo após uma bem-sucedida excursão pela Europa.

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