Sonho de criança que se realiza na escola

iG Minas Gerais | Josias Pereira |

Estudantes de escolas públicas de BH foram contemplados com ingressos para a Copa
Estudantes de escolas públicas de BH foram contemplados com ingressos para a Copa

Dos mais novos aos mais velhos, só existe um lugar na terra onde os fãs de futebol querem estar nos próximos dias. Este lugar se chama “Brasil”. A Copa do Mundo domina o imaginário, promove loucuras, desperta novas ou antigas sensações e também reserva surpresas. Fatos inesperados que surgem como um sonho de criança.

Imagina ir à escola esperando mais um dia de normalidade e, de repente, ser surpreendido com um ingresso para a semifinal da Copa do Mundo? Pois essa foi a experiência vivida por Bruno Henrique, 9, estudante da Escola José Mendes Correa, localizada no Salgado Filho, na região Oeste de Belo Horizonte.

“A diretora me chamou para conversar. Pensei que tinha feito alguma coisa errada na escola. Quando cheguei lá na diretoria, ela (a diretora Carmem Luiza Oliveira Fonseca Malta) leu o bilhete falando que eu fui sorteado. No mesmo momento, eu ajoelhei no chão, agradeci a Deus. Foi muita emoção. Nunca fui ao Mineirão. Imagina ir a uma partida de Copa?”, destaca.

Privilegiado, o garoto da quarta série, filho da secretária Tuane Lais Conti, ganhou um dos 50 ingressos da semifinal da Copa do Mundo, no Mineirão, destinados à Escola Estadual José Mendes Correa. Outras 42 instituições das redes estadual e municipal da capital mineira foram beneficiadas pela iniciativa do governo federal. A ação premiou as escolas que fazem parte do programa Mais Educação. No total, 2.228 entradas foram disponibilizadas para as seis partidas da Copa que serão realizadas no Gigante da Pampulha.

A felicidade de Bruno é a mesma do porteiro e segurança Julio César Praes Xavier, pai de Rafael Pallarino, 9, também estudante da Escola José Mendes Correa. De origem simples, ele reconhece que sua realidade financeira o impediria de adquirir entradas para uma semifinal da Copa. A sorte de seu filho foi uma “verdadeira bênção”.

“Eu e meu filho recebemos isto com muita euforia. A gente nunca esperaria uma coisa dessas. Graças à sorte do garoto, vamos poder viver este momento. Foi uma grande vitória para nós, e vamos enfrentar tudo, qualquer tipo de manifestação, para estarmos lá”, afirma Julio César.

Wagner Gabriel Rodrigues da Silva, 9, já está atento ao alerta da mãe, a dona de casa Mislene Rodrigues, quanto às manifestações violentas que podem eclodir no Mundial. No entanto, o garoto, que levará sua avó para o Mineirão, mal pode esperar a hora de o grande dia chegar. “Quando me falaram que eu ia, quase chorei. Quando contei para minha mãe, ela duvidou. Aí eu disse pra ela: ‘Mamãe, eu vou ver a Copa de verdade’. Agora eu estou contando os dias. Nem acredito que vou ver o Neymar jogar”, concluiu.

Sem emprego, mas com ingresso O ingresso de Felipe Ferreira, 17, matriculado no segundo ano da Escola Estadual Santo Afonso, localizada na região nordeste de Belo Horizonte, não é o da semifinal da Copa, mas para o jovem vale como se fosse. Ele verá Bélgica x Argélia, no Mineirão, ao lado do seu pai, Charles Martins Vieira, fanático por futebol e que, no momento, encontra-se desempregado. Nem mesmo as condições limitadas da família impedem o sorriso largo no rosto do pai, que agora se prepara para realizar um sonho antigo e praticamente ‘impossível’ ao lado do filho. “O Mundial, em si, está muito distante da população. O país está carente de saúde e de várias outras coisas, mas também não podemos perder a fé. Não é qualquer país que pode sediar uma Copa”, afirma.

Medo de protestos no caminho Um ingresso para a semifinal de uma Copa do Mundo é motivo de disputa e cobiça. No entanto, as manifestações programadas durante o torneio parecem ter diminuído o interesse de algumas pessoas. Diretora da única escola da capital mineira contemplada com ingressos para a partida que definirá um dos finalistas do torneio, Carmen Luiza Oliveira Fonseca Mata revelou à reportagem de O TEMPO que cinco pais desistiram das entradas. “Eu fiquei muito triste quando eles me falaram que não queriam os ingressos. Tentei convencê-los de que não teria perigo, que era um prêmio dado aos filhos deles, mas eles alegaram que estavam com medo de confusão. Os meninos, no início, reagiram mal à desistência, mas acabaram convencidos pelos pais”, declarou a diretora da Escola Estadual José Mendes Correa. Os ingressos foram repassados a alunos que integravam a lista de suplentes já predeterminada pelo governo. Para se ter ideia, o ingresso mais barato para a semifinal do Mundial custa R$ 220, e o mais caro, R$ 1.320.

Ideb foi um dos critérios

Um dos dados utilizados pelo governo federal para a distribuição de ingressos da Copa do Mundo a estudantes da rede pública de ensino foi o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). A ferramenta, criada pelo Ministério da Educação em 2007, monitora a qualidade do ensino no país. Em Belo Horizonte, a média é 5,8 para alunos de quarta e quinta séries do ensino fundamental. Utilizando o padrão como referência de pesquisa, das 43 escolas beneficiadas com entradas para o Mundial, apenas dez apresentaram resultados satisfatórios. Dentre elas, sete figuraram com um índice acima da média do município e outras seis superaram o nível de excelência nacional. Segundo o Ministério da Educação, outros fatores foram levados em conta pelo órgão, em parceria com outros ministérios, além do sorteio realizado pela Caixa Econômica Federal no último dia 3 de maio. Ao todo, a Caixa realizou duas apurações: uma para definir as escolas e outra para definir a lista preferencial dos alunos a serem contemplados.

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