Inflação alta recupera hábito de estocar produtos em casa

Pesquisa comparou valores de 15 produtos e dez deles estavam mais baratos nos atacadistas

iG Minas Gerais | Ana Paula Pedrosa |

Pesou. Leonardo Kenji disse que compras em quantidades maiores nem sempre trazem economia
DENILTON DIAS / O TEMPO
Pesou. Leonardo Kenji disse que compras em quantidades maiores nem sempre trazem economia

Duas vezes por mês, o analista de sistemas Leonardo Kenji vai a um atacadista para abastecer a despensa de casa. Ele divide a compra por tipos de produto (limpeza, alimentação, etc.) e faz um estoque de produtos. Como ele, muitos brasileiros estão retomando o velho hábito de fazer compras em maior volume para fugir da alta dos preços. Kenji, porém, diz que fazer estoque nem sempre garante a economia. “Às vezes, o desconto não é muito vantajoso. Em alguns casos, até em supermercados chiques tem produtos mais baratos do que nos atacados. Tem que ficar muito atento”, afirma.  

O que ele percebeu na prática, a reportagem também constatou em visita a três atacadistas e dois varejistas de Belo Horizonte. A pesquisa foi feita com uma lista de 15 itens, que incluiu arroz, café, óleo, leite, produtos de limpeza e itens ‘supérfluos’ como refrigerante e cerveja. Considerando uma unidade de cada produto, a compra no atacado mais em conta chegou a ser 20% mais barata do que no varejo mais caro. Comparando item a item, porém, nem sempre o atacado levou vantagem. Dos 15 produtos pesquisados, quatro estavam mais baratos no varejo e um tinha o mesmo preço nas duas modalidades.

O sabão em pó de um quilo, por exemplo, pode ser encontrado no varejo por R$ 6,29. No atacado, o menor valor foi R$ 6,66 e o cliente tem que levar, no mínimo, seis unidades. O sabonete, que custava R$ 0,85 no varejo, foi encontrado por até R$ 1,08 no atacado. No caso do óleo de soja, o menor valor foi no atacado, R$ 2,79 o litro, mas o valor mais caro também estava no atacado. O litro saía por R$ 3,49 e o cliente tinha que levar pelo menos dois litros. No varejo, o preço foi R$ 3,18.

“Continua valendo uma velha regra: pesquisar e conhecer o perfil de cada supermercado. Alguns têm promoções melhores em alimentos, outros em limpeza”, ensina Leonardo Kenji. A economista e conselheira do Conselho Regional de Economia (Corecon-MG), Silvânia Araújo, concorda com o consumidor. Para ela, os atacados (ou “atacarejos”, que misturam as duas modalidades) não são boas opções para todos.

“Para famílias mais numerosas, eles são uma boa alternativa. Já as famílias menores, não precisam comprar grandes quantidades e podem achar boas oportunidades no varejo”, diz a especialista. Em todos os casos, ela aconselha não descuidar do preço unitário. “As famílias têm que se valer da pesquisa tradicional, que hoje conta com um grande aliado, que é o comércio virtual”, aconselha.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave