Perfil de protestos já mudou

Sindicatos decidem voltar às ruas depois das manifestações de junho de 2013

iG Minas Gerais | Guilherme Reis |

Greve. 
Professores do Rio de Janeiro foram para as ruas em maio para reivindicar melhoria salarial
Celso Pupo
Greve. Professores do Rio de Janeiro foram para as ruas em maio para reivindicar melhoria salarial

Em junho de 2013, a sociedade civil, de maneira apartidária e espontânea, foi às ruas antes e durante a Copa da Confederações para reivindicar melhorias na prestação do serviço público. Neste ano, as movimentações já começaram antes da Copa do Mundo. No entanto, o perfil do manifestante mudou. Os primeiros a buscarem as ruas foram os sindicatos de servidores públicos, o que deu caráter mais institucional aos levantes. Em Belo Horizonte, Recife, Salvador Rio de Janeiro, São Paulo e São Luís aconteceram protestos embalados por greves durante o mês de maio.  

Na tentativa de entender o que está acontecendo, cientistas políticos observam as movimentações e geram um debate sobre os porquês que levaram os sindicatos às ruas. Apesar das diferentes opiniões, os especialistas concordam que 2014, ano de Copa do Mundo e de eleição, é o momento mais oportuno.

“Junho de 2013 tirou os movimentos sindicais e as instituições da inércia”, é o que acredita o cientista político Rudá Ricci. “Os sindicatos estavam enferrujados, mas, depois do ano passado, eles viram que a rua voltou a se tornar a principal arena de reivindicação e de legitimação de lideranças. Os líderes sindicais serão pressionados a não serem apenas negociadores e a pensarem em carreira política. A crise de representatividade é de todas as instituições”, afirmou.

Para o cientista político Gilberto Damasceno, os levantes de junho de 2013 não têm relação direta com as greve e os protestos dos sindicatos. O estudioso frisa que a pauta de reivindicações das entidades é mais específica. “É o melhor momento para a sociedade civil e para os sindicatos se posicionarem, mas os servidores têm foco na condição de trabalho e na campanha salarial. Já a sociedade civil busca questões mais globais”, analisou.

Damasceno não acredita que os dois possam estar juntos nas ruas durante a Copa do Mundo. “Você faz greve agora para não precisar fazer depois. As manifestações da sociedade civil serão mais fortes durante o evento porque a proposta é mostrar insatisfação com o que foi gasto para fazer a Copa”, finalizou.

Na visão do cientista político e sociólogo Moisés Augusto Gonçalves, a busca dos sindicatos pelas ruas é um indicativo da importância que a praça pública voltou a ter no mundo e um novo ciclo de participação popular. “Os protestos que aconteceram e estão acontecendo em todo o planeta remontam a rua como espaço de reivindicação, o que coincide com o surgimento de outros atores sociais que anseiam por mudanças. Os sindicalizados também estão inseridos neste contexto. Além disso, eles estão dentro da máquina administrativa e sabem o que deve ser mudado nas repartições”, observou.

Histórico pelo mundo

2010. Greves também aconteceram na África do Sul pouco antes de a Copa começar. As paralisações ocorreram no transporte público e nos portos, por meio dos estivadores, o que interrompeu a exportação de commodities e carros para Europa e Ásia.

2012. Em Londres, antes de começar as Olimpíadas, o sindicato dos rodoviários comunicou ao governo a possibilidade de greve. Antes da suspensão dos serviços, os empregados conseguiram direito a um bônus de £ 577 pelos dias trabalhados durante as competições.

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