Próxima geração será de gordos, velhos e deprimidos!

iG Minas Gerais |

Estudos apresentados há semanas fez um prognóstico cruel, mas perfeitamente coerente com nossa semeadura. Mais que uma entre-safra de talentos e lideranças jamais visto, com destaque para a geração milênio e selfies, estamos presenciando uma das modificações corporais e psíquicas mais avassaladoras dos últimos séculos. A pirâmide populacional está se invertendo com rapidez, com as faixas etárias mais elevadas, cada vez vivendo mais (no entanto, pior, mais adoecida, discriminada, marginalizada, com elevação de quadros de Alzheimmer, doenças crônicas, incapacitantes, sequelas limitantes delas, dentre outros). Poderíamos dizer que andamos morrendo cada vez mais tarde, e a taxa de natalidade anda baixa. E, para quem costuma usar a expressão “viver está cada vez mais pesado”, haverá concordância em gênero, número e grau. Estamos cada vez mais pesados, talvez no sentido lato dessa palavra, mas, por hora, constata-se que o sobrepeso e obesidade já são epidêmicos e diversas causas são listadas e vão desde os fast-foods, o estresse, a insônia, a vida sedentária, o número de horas passadas em frente à telas e abuso de eletrônicos, até a indústria alimentícia com seus produtos viciantes e marketing agressivo (refrigerantes, doces, chocolates e sanduíches, por exemplo). E, fora as patrulhas da boa forma, as indústrias de dietas e alimentos diet, academias e gente sarada abusando nas redes, ao expor seus corpos artificiais ou “photoshopiados”, gordos são humilhados por bullying, falta de roupas GG, cadeiras incabíveis em aviões, ônibus e cinemas, e tal marginalização social terminará por originar os “gordódromos”, em que, escondido de familiares e colegas de trabalho, devorarão suas barras de chocolates, seus Mac e refrigerantes, sem ninguém encher o saco! Por fim, os velhos e gordos da próxima geração terão grande tendência a desordens de humor. E, sendo assim, beberão e usarão mais drogas lícitas e ilícitas, embora, cada vez mais, a fronteira entre o proibido e ‘permitido se estreite – tendendo ao individualismo, à solidão, vida virtual, ao desfazimento familiar, ao medo de ter filhos ou ao distanciamento entre pais e filhos, à violência urbana, aos conflitos crescentes entre diferentes grupos éticos, religiosos, de classe social, nacionalidade, enfim, à tribalização em forma de guerrilhas urbanas, ao desemprego entre jovens que, somados aos incapacitados tecnológicos das classes baixas, atingirão o psiquismo humano, em forma de um estresse massacrante, um humor deprimido e um negativismo generalizado por falta de um horizonte inspirador. Futurólogos preveem dois caminhos mais prováveis: um seria com todo esse enredo, emoldurado por tecnologias ciborgs, nanotecnologia, maquinização e robotização, que será disponível para a minoria enriquecida que se defenderá da maioria, dos excluídos tecnológicos, violentamente tentando obter as supermáquinas. O outro caminho é o caos, com epidemias que dizimarão milhões, catástrofes climáticas, guerras tribais, um “salve-se quem puder holocáustico”. Projeta-se, no segundo caso, um renascimento civilizatório, com novos valores, mais humanismo, fraternidade, Justiça. Talvez uma repetição da idade das trevas e do renascimento, afinal, a história é cíclica e todo auge é simultaneamente o início da decadência. E, como estamos brincando de Deus, mexendo nos genes, roborizando tudo, escravos de telas, vivendo num universo paralelo, numa Terra virtual, bem que merecemos o futuro que nós escolhemos. Por falar nisso, dá para parar de teclar, comer chocolate com Coca, queixar da vida?

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