Artistas argentinos buscam caminho de renovação

Pura efervescência na literatura, no cinema e na música na seleção cultural da Argentina

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Craques da arte. Conheça o que a Argentina exporta para o mundo além do futebol
Craques da arte. Conheça o que a Argentina exporta para o mundo além do futebol
Se no gramado os argentinos provam que praticam bem o futebol, o mesmo pode se dizer em relação à literatura, ao cinema e à música que produzem há décadas. Paralelamente ao lastro cultural deixado por nomes de peso, como os escritores Jorge Luis Borges, Juan José Campanella e Astor Piazzolla, surgem novas vertentes nessas três áreas que refletem uma multiplicidade de artistas contemporâneos.   Para a argentina Mariana Palomino, que assina uma coluna sobre literatura em uma rádio comunitária de Buenos Aires, o cenário desse segmento é marcado pela diversidade. De acordo com ela, entre os escritores mais aclamados figuram Lucía Puenzo, também diretora de cinema; Pola Oloixarac, autora que conquistou elogios do ambiente acadêmico; além de Andrés Neuman e Oliverio Coelho.   Há ainda Samantha Schweblin, que compartilha com Puenzo afinidades de sua escrita com a linguagem cinematográfica. “Ambas apresentam em alguns dos seus textos um ritmo e uma dinâmica muito própria do audiovisual. Elas transportam elementos desse universo de um modo muito efetivo”, observa Mariana Palomino. Ela acrescenta que, enquanto Neuman segue a trilha da ficção fantástica de Adolfo Bioy Casares, Puenzo, ao lado de Patricio Pron, aborda com frequência a questão das identidades culturais.    Com respeitada presença internacional, a produção cinematográfica de lá, segundo Diego Lerer, crítico de cinema argentino, se revela efervescente como a literatura. Ele sublinha que há diferentes linhas e diretores a exemplo de Lisandro Alonso, Matías Piñeiro e Mariano Llinás despontando, além dos já consagrados Daniel Burman, Pablo Trapero e Lucrecia Martel.    Lerer pondera que embora esses diretores e outros mais novatos estejam tentando inaugurar novos rumos no campo estético, há aqueles que revisitam o passado recente na tentativa de continuar fórmulas que deram bons resultados. “No eixo temático, identifico um problema: acho que os filmes argentinos analisam a situação real e política do país de maneira tangencial. Faltam cineastas que trabalhem a história argentina de forma menos previsível”, opina Diego Lerer.   Na música, o jornalista do “El País” Yumber Vera Rojas identifica um processo em que grupos que vieram da cena independente aos poucos invadem o mainstream. “Não vai demorar muito para que essa renovação musical, que a indústria musical local teme, se concretize. Acredito que dentro de muito pouco tempo não serão raras as presenças de bandas e artistas, como Él Mató un Policía Motorizado, Juana Molina, Viva Elástico e Indios nas rádios e nas televisões do país, conquistando espaço definitivo até todos se tornarem uma referência para a geração seguinte”, conclui o argentino.  
  • / MÚSICA
  •   Chancha  Chancha Via Circuito é o projeto do argentino Pedro Canale que vem se destacando no estilo conhecido como “cumbia digital”. O produtor e DJ já lançou dois discos: “Rodante” (2008) e “Rio Arriba” (2010), que mantêm em comum com o primeiro a ideia de imprimir uma interpretação moderna ao ritmo que nasceu na Colômbia. Em Buenos Aires, capital muitas vezes ressaltada pela afinidade com a cultura europeia, Canale costura laços com as expressões de matriz latino-americana por meio de sua música.    Ao contrário de outros artistas, como Frikstailers e Fauna, ele investe num repertório menos voltado para as pistas de dança e apresenta criações que se caracterizam pelas construções de caráter mais climático, evocando uma roupagem ritualística. “Onírica” e “neo-primitiva” são alguns adjetivos já lançados para as suas criações que têm atraído ouvidos de fora da América Latina, em razão da maneira como o músico alça uma batida de contornos folclóricos ao repertório musical global.     Aristimuño Músico e cantautor, Lisandro Aristimuño estreou em 2004 com o disco “Azules Turquezas”. Seis anos depois, ganhou o prêmio Gardel de melhor álbum de pop rock, com “Las Crónicas del Vento” – feito repetido em 2013 com “Mundo Anfibio”. Seu estilo se baseia na releitura de gêneros tradicionais com elementos eletrônicos.  Uma marca pessoal é o timbre comparado, às vezes, a vocais femininos.     
  • / CINEMA
  •   Lisandro Alonso Recentemente, o cineasta ganhou o prêmio concedido pela Federação Internacional de Críticos de Cinema, durante o Festival de Cannes. Exibido dentro da seção “Um Certo Olhar”, o longa-metragem é o sexto da carreira do argentino e narra a história de um general e colono dinamarquês que tem como missão exterminar os nativos residentes na região da Patagônia. Frequentemente reconhecido como um dos talentos do cinema latino-americano contemporâneo, ele apresenta um estilo que combina técnicas formais oriundas tanto do universo do documentário quanto da ficção. Seu elenco, geralmente, é formado por atores não-profissionais.    Seus filmes anteriores, “La Libertad” (2001), “Los Muertos” (2004), “Fantasma (2006) e “Liverpool” (2008) apresentam em comum uma atmosfera misteriosa e costumam levar à cena situações cotidianas. Tarefas prosaicas, enquadradas pelo diretor, como o retorno para casa ou uma ida ao teatro, ganham associações que levam a reflexões existenciais.   Pablo Fendrik Outro nome relacionado a geração contemporânea de cineastas argentinos, Fendrik levou “El Ardor”, rodado com a brasileira Alice Braga e o mexicano Gael García Bernal, ao Festival de Cannes. Filmado no ambiente da Amazônia, o longa-metragem se oferece como uma espécie de releitura do cinema de gênero “western”. Esta é sua quinta direção no cinema e a oitava obra  em que assina o roteiro.   
  • / LITERATURA
  •   Pola Oloixarac Em 2011, quando participou da Festa Literária Internacional de Paraty, a escritora chamou  a atenção pela beleza e pela vitalidade de “As Teorias Selvagens”. Seu primeiro título se apropria de referências que vão da filosofia aos games para tratar da maneira como a Argentina lida com o seu passado recente. Ela veio ao Brasil um ano depois de ser escolhida entre os melhores jovens novelistas de língua espanhola pela revista “Granta”.    Lucía Puenzo Escritora e cineasta, o que já lhe rendeu o prêmio Goya, em 2008, pelo filme “XXY”, Puenzo também é um dos nomes da geração recente de escritores de língua espanhola publicados pela revista “Granta”, em 2010. Com cinco livros traduzidos para vários idiomas, a autora acumula uma trajetória de grande reconhecimento nas duas áreas em que atua. Um dos seus livros mais aclamados é “La Maldición de Jacinta Pichmahuida”, lançado em 2007.    A narrativa é centrada em personagens que foram protagonistas de um programa infantil reciclado várias vezes para se manter na ativa. O livro costura diferentes gêneros narrativos, do policial ao fantástico, para contar uma história cujo tema principal é a própria televisão. “Wakolda” (2010), seu mais recente romance, foi adaptado por ela mesma ao cinema e está previsto para estrear aqui no dia 12 deste mês com o título. “O Médico Alemão”.

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