Talento e bandanas empurram o Japão

iG Minas Gerais | Gabriel Pazini |

Masashi Sato veio ao Brasil durante a Copa das Confederações em 2013 e retornará para conferir a Copa do Mundo
Arquivo pessoal
Masashi Sato veio ao Brasil durante a Copa das Confederações em 2013 e retornará para conferir a Copa do Mundo

Se depender da pontualidade nipônica, o Japão desembarca às 18h55 deste sábado, no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, no interior de São Paulo, com a esperança de realizar sua melhor campanha na história das Copas. O time alcançou as oitavas de final em 2002 e 2010 e, agora, quer chegar pelo menos até as quartas. Para isso, os Samurais Blues contam com o talento de Kagawa e Honda e com a qualidade de seu meio-campo com bons jogadores, como Endo, Hasebe e Okazaki, além do bom lateral-esquerdo Nagatomo.  

As expectativas são boas. O time é muito talentoso. Além disso, o estilo de jogo técnico, bonito, de posse de bola e troca de passes rápidos também encanta. O Japão recebeu até o apelido de “Barcelona da Ásia”. E tem mais. A torcida japonesa virá em peso para o Brasil e promete empurrar sua seleção com uma bonita festa.

E entre todos os nipônicos que estarão aqui, dois são especiais: Masashi Sato, 36, e Shigeyuki Ikeda, 40, que vieram para a Copa das Confederações, vão voltar para o Mundial com uma versão ampliada do projeto “Tamo Junto”. A ideia é simples, como explica Ikeda. “Além de nós, o projeto tem outro líder, mas não se resume apenas aos três. Nossos amigos que vão viajar vão participar, e todos os torcedores podem entrar nessa. Basta comprar bandanas e distribuir para todos: japoneses e estrangeiros. Cada uma custa apenas R$ 2. Fizemos a previsão e teremos pelo menos 30 mil por jogo na Copa”, conta.

Sato, por sua vez, lembra que o projeto começou na Copa de 2010. “Nós acompanhamos a seleção faz tempo. O Ikeda viaja com os Samurais Blues faz 30 anos, e eu, há 15. Já realizamos o projeto em 2010, nas Olimpíadas de 2012 e na Copa do Mundo Feminina de 2011. Acho que a principal razão do sucesso é ele ser ‘puro’. Só queremos torcer e viver o amor do futebol juntos”, diz.

Expectativa. A dupla acredita em uma boa Copa para o Japão. “Acho que vamos chegar às quartas de final e enfrentar o Brasil. Aí, vamos ver o que acontece”, torce Ikeda. Sato, por sua vez, crava que o Japão vai fazer sua melhor campanha na história dos Mundiais. “Vamos até as quartas e, nas oitavas, quero que enfrentemos a Itália no Recife (como no ano passado, quando os japoneses mereciam vencer, mas perderam de 4 a 3). Será a nossa vingança”. 

Relação não é pura harmonia Apesar do amor pelo futebol e pelo Brasil, a relação da dupla com o país do futebol não é perfeita. São muitas as reclamações, entre elas, os aeroportos. “Mudaram meus voos muitas vezes, e não posso ajustá-los via internet. Isso aconteceu no ano passado e, agora, de novo. São loucos. Outro problema é a linguagem. Se não fosse um outro turista me ajudando em inglês... Por isso estou aprendendo português (risos)”, conta Ikeda. O transporte e a violência também foram alvos de reclamações. “Os ônibus e metrôs demoram muito e são ruins”, diz Sato, que, em 2013, esteve no Rio, em São Paulo e no Recife. “Não fomos assaltados, mas amigos que foram roubados disseram que as cidades são muito perigosas”, afirma Ikeda. A última queixa de Ikeda foi para a Fifa. “Por uma porcaria de exigência da Fifa, não pude entrar com meu tambor no estádio e precisei jogá-lo fora na frente da Arena Pernambuco. É lamentável. Nós, torcedores, precisamos de tambores e bandeiras para poder fazer uma bonita festa e mostrar a atmosfera do jogo. É uma pena que a Fifa esteja estragando isso”.

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