Amiga é para essas coisas

Leila Pinheiro presta homenagem aos 50 anos de carreira do compositor e amigo Aldir Blanc, hoje à noite no CCBB

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Show de Leila em tributo a Aldir será dividido em movimentos
Cristina Granato / Divulgação
Show de Leila em tributo a Aldir será dividido em movimentos

O primeiro contato de Leila Pinheiro com a obra de Aldir Blanc foi junto com o grande público, ao ouvir “Amigo É pra Essas Coisas”, interpretada pelo MPB-4 em 1970, que colocou o compositor no radar dos grandes da música popular brasileira. Duas décadas mais tarde, em 1991, ela gravaria sua primeira canção do autor, “Esconjuro”, no álbum “Outras Caras”. “Desde então, não parei mais de cantá-lo. Se não gravo em disco, faço no show. É um poeta presente na minha discografia e em tudo que eu fiz”, afirma a intérprete.

Nada mais natural, portanto, que ela tenha sido convidada para encerrar o projeto “Bom de se Ouvir, Bom de se Aldir”, que celebra os 50 anos da carreira do letrista, cronista e escritor. Depois de João Bosco abrir os trabalhos com “Compatibilidade de Gênios” e Zé Renato dar continuidade em “A Poesia com Muitas Notas”, Leila Pinheiro apresenta “Nas Trilhas do Coração” hoje, às 19h, no teatro do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).

“É uma honra poder celebrar esse marco com ele vivo, lembrar o público que ele está ali e suas músicas são eternas”, exalta Leila. Para ela, a poesia de Blanc tem um humor ácido e uma ironia que, na música brasileira, só tem páreo em Chico Buarque. “Eu vejo as novas gerações de letristas tendo isso como referência, perseguindo, mas muito de longe, porque para o Aldir isso é algo muito natural”, avalia.

Esse talento, na opinião da intérprete, vem de uma observação da vida com uma ótica particular e crítica, que também se revela no trabalho de Blanc como cronista em jornais. Para transformar isso em música, ela lembra que o compositor se faz valer de sua experiência como baterista no início da carreira. “Tem que ter uma noção de métrica extraordinária, são divisões absurdas, difíceis de encaixar, mas aí entra o ourives, um gênio desses que não tem outro no século”.

Leila, que já gravou um álbum inteiro com composições da parceria entre Blanc e Guinga, “Catavento e Girassol”, de 1996, foi convidada para “Bom de se Ouvir, Bom de se Aldir” pela amiga Solange Kafuri, diretora artística do projeto. “São algumas canções que nunca cantei, o que para o intérprete é sempre um presente”, revela. Mas no show, aberto com “Vida Noturna”, seguida de “Dois pra Lá, Dois pra Cá”, a cantora admite ser uma profissional dirigida por Kafuri, em quem confia inteiramente. “Faço o que ela mandar”.

Kafuri dividiu a apresentação em três movimentos – “Cronista Apaixonado”, “Amor pela Família” e “Poeta/Jornalista” – que permitem explorar as diferentes facetas da poesia de Blanc. “Ela separou assim para ficar mais interessante como narrativa porque o show também tem imagens e projeções da vida dele, com as músicas revelando o que está por trás de cada uma”, explica Pinheiro.

Mas, para a cantora, o momento mais especial da apresentação continua sendo a performance de “Catavento”. “É um momento emblemático da minha relação com Aldir e o Guinga”, considera. Ela conta que já interpretou a música ao vivo com banda, sozinha, com piano, orquestra, e é sempre espetacular a receptividade e a popularidade que ela encontra. “Ontem dei uma canja com o Delegado e foi uma ovação. As pessoas adoram, se identificam com as relações de que ela fala e me emociona muito como o público identifica a canção comigo”, confessa.

A intérprete ressalta, porém, que a noite e a apresentação é toda para Aldir Blanc. “Os compositores dessa geração não recebem quase nada por suas canções e é cada vez mais urgente que projetos assim aconteçam”, defende. Ela explica que, uma vez que as músicas caem na internet, cessa o retorno financeiro. “É uma forma de entrar dinheiro no caixa desses caras, porque é difícil”, admite.

Agenda

O que. “Bom de se Ouvir, Bom de se Aldir”, com Leila Pinheiro

Quando. Hoje, às 19h

Onde. Teatro do CCBB (Circuito Cultural Praça da Liberdade)

Quanto. R$ 10

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