Com pegada eletrônica, Skank revisita a carreira

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Tema. Novo disco tem BNegão, Lucas Silveira, Emicida e Lia Paris
Sony Music/Divulgação
Tema. Novo disco tem BNegão, Lucas Silveira, Emicida e Lia Paris

São vinte anos de banda desde o intenso “Calango” (1994), primeiro disco de sucesso do Skank a vender 1 milhão de cópias. De lá para cá, sonoridades que vão do reggae jamaicano e metais a baladas eletrônicas e hits de violão. Talvez por estar envolto numa maturidade fruto do tempo, o Skank volta às raízes no último disco, “Velocia” (Sony Music), previsto para chegar às lojas no próximo dia 10 de junho, e passeia pela carreira abusando de experimentalismos eletrônicos para analisar os tempos modernos.

Gravado no estúdio Máquina, em Belo Horizonte, e produzido por Renato Cipriano e Dudu Marote, que trabalhou com a banda na década de 90, “Velocia” remete à velocidade (“velócia” em latim) para falar da rapidez da geração atual. Como marca de uma banda de outros tempos, o trabalho chega ao público depois de seis anos de jejum musical. O desejo de sossego da banda é tanto que a arte do disco, assinada pelo espanhol Oriol Angrill, faz referência à “Galápagos”, faixa do álbum e também de um conjunto de 13 ilhas sendo apenas quatro habitadas. “A temática do disco é o questionamento da velocidade desse mundo. Pensamos nos artistas novos que fazem tudo rápido hoje. Nós gravamos em dez longos meses, isolados como se estivéssemos em uma ilha”, afirma o tecladista da banda, Henrique Portugal.

Ele reforça que nenhuma semelhança com variados sons da carreira foi programada, mas é possível notar nitidamente referências musicais dos 20 anos de Skank em 46 minutos do disco. Algumas das 11 faixas soam como irmãs de antigas canções, mas vestidas de barulhinhos de computador intensos com o uso de samplers, bateria eletrônica e teclado psicodélico. “Juntamos todas as nossas influências, mas não fizemos nada premeditado. Se houve a impressão de um passeio por nossa carreira, foi o acaso”.

Acaso ou não, as diferentes influências das várias fases de Samuel Rosa (vocais), Lelo Zaneti (baixo), Haroldo Ferretti (bateria) e Henrique Portugal (telclados) estão dispersas por todo o disco. A canção de abertura, “Aléxia”, um groove com metais e guitarrada, homenageia a jogador do Barcelona que dá nome à faixa, cita Messi e volta a falar de futebol, como no segundo álbum de sucesso da banda, “Samba do Poconé” (1996). Já “Esquecimento” é uma balada de violão acompanha de orquestra com samplers sutis remetendo a “Cosmotron” (2003). “Périplo” usa guitarra e bateria pop e lembra a sonoridade de “Carrossel” (2006).

Com show de estreia da turnê previsto para setembro, recentemente a banda emplacou “Ela Me Deixou” nas rádios, abusando do reggae, guitarra com wah wah e letra envolvente: “Aquilo que era pouco / Multiplicou até bastar / No rio pôs água doce, o sal do mar”. A canção é amostra da boa parceria de 18 anos entre Nando Reis e Samuel Rosa, que ainda se destacam por “Esquecimento”, única canção do disco onde se ouve um violão solo (“eu ligo, acerto / eu erro, mas tento”).

Apesar do hit, “Velocia” não decola com outras melodias marcantes, como o Skank está acostumado a fazer. Nas demais parcerias, o rapper Emicida aparece no reggae “Tudo Isso”, e na balada “Rio Beautiful”. A paulistana Lia Paris empresta sua voz forte para interpretar a infantil balada “Aniversário” e Lucas Silveira, da banda Fresno, completa o time de novos talentos com a sentimental “Do Mesmo Jeito”. BNegão ainda participa com o rap “Chama Todos” na faixa “Multidão”, que fala sobre opressão do brasileiro, e Chico Amaral acerta a mão em “A Noite” (“a cidade é uma longa favela de arranha-céus”).

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