Cinco décadas de carreira

Aos 65 anos, ator contabiliza mais de 140 personagens e mais de 30 novelas só na Globo, onde estreou em 1977

iG Minas Gerais |

Na peça “Novas Diretrizes em Tempos de Paz”, que depois virou filme
Fotos arquivo o tempo
Na peça “Novas Diretrizes em Tempos de Paz”, que depois virou filme

SÃO PAULO. “Sempre me imaginei caminhando pela carreira de ator e passando por muitas etapas. Mas não tive uma bola de cristal prevendo que eu faria 50 anos de profissão”. É assim que Tony Ramos, 65, um dos artistas mais queridos do público, avalia sua trajetória de sucesso com mais de 140 personagens e mais de 30 novelas só na Globo. “Digo que sempre trabalhei muito, nunca brinquei de fazer meu ofício e acredito na história dos meus personagens”, complementa. 

Após passar pelo teatro amador, Ramos foi descoberto em um programa de esquetes na extinta TV Tupi, em 1964. Em 1965, já fazia a sua primeira novela, “A Outra”, na qual teve contato com grandes nomes da TV. “Eu observava os colegas de mais idade, como o Lima Duarte, a Laura Cardoso e o Luis Gustavo, entre outros. Foi importante ver esses grandes companheiros trabalhando”, lembra.

O veterano observa com boa vontade o trabalho da nova geração de atores e aponta que, para seguir carreira, é preciso abandonar a vaidade. “O ator só se dá esse título quando ele não acredita no sucesso e não se abala com o fracasso. O verdadeiro ator sabe que o sucesso e o fracasso andam juntos”, diz. E completa: “O ator não pode parar de estudar. Precisa entender de política, de sociologia, fazer teatro e não passar cinco horas por dia no Google”. O ator diz que aposta em nomes como Bruno Fagundes e Irandhir Santos, de “Meu Pedacinho de Chão” (Globo), além de Jesuíta Barbosa, da série “Amores Roubados” (Globo, 2014).

Acostumado a realizar longas pesquisas para seus personagens, Ramos conta que dispensa o período de laboratório feito por muitos atores. “A não ser que seja uma exigência do diretor ou que eu precise aprender algo diferente, como dirigir um trator, o que aconteceu em ‘Passione’ [Globo, 2010-2011]. Normalmente, prefiro a pesquisa”, diz ele. Tony chegou a ir para a Itália meses antes de a novela começar. Experiência que já havia tido na Grécia, quando gravou “Belíssima” (Globo, 2005-2006). “Para viver o Nikos, fiquei lendo e conversando com atores gregos. Fui percebendo o gestual deles. Isso, para mim, é parte da profissão”.

Tamanha habilidade o levou a viver diversos tipos estrangeiros na TV, como indiano, norte-americano, cubano e português. “Não que eu tenha facilidade em interpretar esses personagens, é que eu tenho um bom ouvido e sempre me preocupei em assistir a filmes sem legenda, para pegar o jeito dos atores”, revela.

Habituado a interpretar personagens de bom caráter, Ramos encarou desafios também na pele de tipos suspeitos. Foi assim com o ex-presidiário Clementino, que matava a mulher a enxadadas, em “Torre de Babel” (Globo, 1998-1999). Na época, o público estranhou ver o ator em cenas tão fortes. “Não acredito que o telespectador tenha rejeitado o Clementino. Não podemos subestimar o público. Estou acostumado a histórias fortes. Em uma peça, fiz um personagem que se apaixonava por outro homem, e isso não chocou ninguém”, diz, referindo-se ao trabalho na montagem “Rapazes da Banda” (1969).

Segundo o doutor em teledramaturgia pela USP (Universidade São Paulo) Claudino Mayer, o polêmico Clementino foi um marco na carreira de Tony Ramos. “Mostrar esse lado versátil do ator foi importante e também provou que um autor precisa de cuidado ao ter um ator tão carismático em uma novela”, diz. “O Tony representa a família brasileira, ele tem credibilidade”, complementa.

Comemoração. Neste ano, Tony Ramos surpreendeu a todos na pele do ex-presidente Getúlio Vargas (1882-1954), no filme “Getúlio”, dirigido por João Jardim. Foi o primeiro papel histórico do ator no cinema. “Durante as filmagens, por onde passávamos, a história dele era evidente. E o curioso é que o público de 18 a 25 anos é o que está indo às salas para ver o filme”. Em julho, ele dará vida a Carlos Braga, na nova versão de “O Rebu”, que terá 40 capítulos. “Ele é um engenheiro, cujo sócio morre misteriosamente. A mulher do morto decide tomar as rédeas dos negócios e ameaça Carlos com um dossiê”, diz Ramos, que dará vida a um homem de caráter duvidoso. “Ele vai surpreender. Tem coisas no passado dele que podem chocar o público”.

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