Famosas negam o feminismo e são alvo de várias críticas

‘Dizer que não é feminista porque ama os homens é um desserviço’

iG Minas Gerais | Marisa Meltzer |


A atriz Ellen Page critica o fato de vivermos num ‘mundo patriarcal’
Robin Harper
A atriz Ellen Page critica o fato de vivermos num ‘mundo patriarcal’

Nova York, EUA. Em entrevista que concedeu, tempos atrás, para a revista “Time”, a atriz norte-americana Shailene Woodley foi questionada se se considerava feminista. “Não, porque amo os homens e acho que essa ideia de tirar o poder deles e dá-lo às mulheres nunca vai funcionar, porque precisamos de equilíbrio”.

Uma resposta surpreendente vinda de uma atriz conhecida por interpretar personagens fortes em filmes como “The Spectacular Now”, “Divergente” e “A Culpa É das Estrelas”.

A escritora Jennifer Weiner, 44, comentou no Twitter: “Caras Jovens Atrizes: Antes de criticarem o feminismo e afirmarem que não fazem parte do movimento, aprendam primeiro do que ele se trata”. A analista política Zerlina Maxwell, 32, concordou: “Mais uma atriz que rejeita o feminismo que nem sabe definir direito”.

“Surgiu um padrão entre as celebridades que se dizem não feministas porque amam os homens, o que, na verdade, é um desserviço mais que qualquer outra coisa”, afirmou Sarah Marian Seltzer, que escreveu a resposta “Cara Shailene Woodley”, para o site Hairpin.

Andi Zeisler, fundadora da revista de cultura pop feminista Bitch, disse: “Só o fato de a questão ser levantada mostra que o feminismo já é muito mais aceito”. O problema, segundo ela, é que algumas celebridades não sabem quais são os valores e objetivos do feminismo. “Não estou nem aí se a pessoa não se identifica como feminista”, completa.

O que a incomoda são a desinformação e a perpetuação da ideia de que o feminismo é “um jogo no qual alguém só ganha se outro perde, que para enaltecer a mulher é preciso denegrir o homem. Isso é errado, não tem nada a ver. É a versão distorcida do movimento”.

Caminho. Como foi amplamente discutido nas redes sociais, Beyoncé também se manifestou sobre o assunto há alguns meses, mas já tinha flertado com a ideia no ano passado ao declarar para a Vogue britânica que era “uma feminista dos tempos modernos”. Porém acrescentou: “Por que tenho que escolher que tipo de mulher eu sou? Por que tenho que usar um rótulo? Sou somente uma mulher e adoro sê-lo”.

Em dezembro, lançou o álbum “Beyoncé,” e uma das faixas, “Flawless”, sampleava uma conversa gravada da escritora Chimamanda Ngozi Adichie entitulada “We Should All Be Feminists”, incluindo uma frase extraída dela: “Feminista: pessoa que acredita em igualdade social, política e econômica entre os sexos”.

Em janeiro, a cantora escreveu um post intitulado “Gender Equality Is a Myth!” (Igualdade Entre os Sexos É Mito!).

Andi Zeisler aponta Beyoncé como a famosa que “lidou publicamente com o feminismo e descobriu seu caminho até ele”.

“O problema é se as famosas estão simplesmente assumindo o feminismo da boca para fora”, questiona Roxane Gay, autora da coleção de ensaios “Bad Feminist”, que será lançada nas próximas semanas nos EUA.

“Há 40 anos era uma boa pergunta, mas em 2014 além de ridícula, é preguiçosa. Enquanto críticos culturais, temos que começar a levar o debate mais a sério e questionar coisas importantes, tipo, como o feminismo molda a vida dessas mulheres”, diz.

‘Hoje eu aceito a palavra’ Nova York. No último ano, o feminismo ganhou certa onipresença na cultura pop: em outubro passado, a revista “Glamour” publicou o artigo “The New Do: Calling Yourself a Feminist” (A Nova Tendência: Considere-se Feminista). Sheryl Sandberg, autora de “Lean In” e diretora de operações do Facebook, disse: “Hoje eu aceito a palavra ‘feminismo’; não o fiz no início da minha carreira. Mudei de opinião por causa de sua definição, ou seja, a crença em um mundo em que todos devem ter as mesmas oportunidades”.

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