Energia tem maior alta em 9 anos e puxa inflação

IPCA de maio foi de 0,46% e, no acumulado de 12 meses, se aproxima de 6,5%

iG Minas Gerais |

Choque. 
Com reajustes em vários Estados, tarifa de energia foi o vilão da inflação de maio no país
Daniel de Cerqueira/O Tempo
Choque. Com reajustes em vários Estados, tarifa de energia foi o vilão da inflação de maio no país

 A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,46% em maio, ante 0,67% em abril, divulgou nesta sexta-feira (dia 6) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio dentro do intervalo das estimativas do mercado e a desaceleração da alt se dá pela acomodação dos preços dos alimentos. No ano, o IPCA acumula alta de 3,33% e, em 12 meses, a variação é positiva, de 6,37%, perto do teto da meta do governo federal, que é de 6,50%.  

O grande vilão do mês foi o preço da energia. A alta de 3,71% de maio foi a mais intensa para o item desde maio de 2003, quando subiu 6,45%, ou seja em nove anos. Com o resultado, a tarifa de energia elétrica contribuiu sozinha com 0,10 ponto porcentual da alta de 0,46% observada no mês passado.

Em abril, as tarifas de energia elétrica haviam subido 1,62%, mas a alta se intensificou devido a impactos de reajustes em diversas regiões metropolitanas do país. As elevações foram de 16,65% no Recife, 12,96% em Fortaleza, 12,82% em Salvador, 10,27% em Campo Grande, 5,05% em Porto Alegre e 4,37% em Belo Horizonte. Além disso, Rio de Janeiro e Belém, bem como Campo Grande foram afetadas por aumento de impostos (PIS/Cofins) incidentes sobre a tarifa de energia elétrica residencial. “Foi o principal impacto do mês de maio, com reajustes em várias regiões, e foram altas relativamente fortes. Algumas também tiveram aumentos pesados nos impostos”, notou a coordenadora de Índice de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos.

Além de energia, os grupos que registraram as altas mais intensas no IPCA de maio foram artigos de residência (1,03%) e saúde e cuidados pessoais (0,98%). No caso dos artigos de residência, a principal influência veio dos eletrodomésticos, que subiram 2,12% em maio. No grupo saúde, os remédios avançaram 1,47% no mês passado, ainda refletindo parcela complementar do reajuste autorizado em março, informou o IBGE. O grupo despesas pessoais, por sua vez, acelerou de 0,31% para 0,80% em maio, pressionado pelo item jogos de azar (5,69%). Segundo o instituto, a alta é reflexo do reajuste médio de 26% em vigor a partir de 11 de maio. Também influenciaram manicure (1,48%) e cabeleireiro (1,31%).

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