Criado-mudo particular

Peça se renova para acomodar novos estilos; morador exige algo moderno e funcional

iG Minas Gerais | Penelope Green - The New York Times |

Retrato. Para especialista, o quarto é um espaço em que a verdadeira identidade dos moradores se manifesta com mais evidência e o criado-mudo mostra um pedaço deste universo
Trevor Tondro/ The New York Times
Retrato. Para especialista, o quarto é um espaço em que a verdadeira identidade dos moradores se manifesta com mais evidência e o criado-mudo mostra um pedaço deste universo
New York, EUA. Uma nova coleção criada pelos designers Jeffey Bernett e Nicholas Dodziuk oferece três opções de mobiliário inteligente para a decoração: uma cama com gavetas embaixo e uma pequena mesa redonda conectada à lateral; uma cama com uma cabeceira grande e criados-mudos suspensos com gavetas, e a terceira, “uma cama grandiosa”, descreve Tiffiny, “com uma mesa de cabeceira mais tradicional, com espaços abertos e fechados, para coisas que não queremos que fiquem expostas”.   Já o arquiteto William Georgis, que cria ambientes modernos para colecionadores de arte, explica que, de vez em quando, opta por colocar gavetas escondidas nas mesas de cabeceira que cria para seus clientes. Por exemplo, na única gaveta do criado-mudo coberto de pergaminho e pés de bronze que fez para uma família, colocou uma extensão deslizante que escondia outra gaveta, semelhante aos compartimentos das escrivaninhas do século XVIII que escondiam as cartas de amor. “Mas aí já é uma coisa completamente diferente, porque é como se você projetasse um brinquedo”, afirma.    Maurice Blanks, um dos donos da Blu Dot, uma fabricante de móveis contemporâneos exclusivos, também oferece opções para todos os equipamentos que os criados-mudos têm que acomodar. “A maior parte das nossas discussões gira em torno do espaço reservado para guardar coisas”, declara. “O pessoal anda passando mais tempo no quarto, e o comportamento neste tipo de espaço mudou muito. O modernismo anda bem menos dogmático nos últimos dez anos. O cliente quer algo moderno e funcional. Aquela mesinha pedestal perfeita com um único livro já não atrai ninguém”, pontua.   Blanks acrescenta que a tecnologia está mudando tão rápido que a melhor coisa que os fabricantes de móveis têm a fazer é abordá-la da forma mais generalizada possível – com espaço para os fios, por exemplo, criando um buraco na parte de trás de uma gaveta ou prateleira, mas nada tão específico como um dock embutido para que a peça continue em evidência daqui a dez anos. Para os cientistas sociais, o quarto é um espaço honesto pelo fato de ser um ambiente muito particular. Você pode mostrar o melhor de si ou aquilo que quer que os outros vejam, na sala de estar, por exemplo, mas é no quarto de dormir que a verdadeira identidade dos moradores se manifesta com mais evidência.   Eliminadores de bagunça, como a organizadora profissional Leslie McKee, são unânimes ao afirmar que o melhor negócio é apostar na simplicidade. “Quem está exausto já perde a energia só de olhar para tudo aquilo ao lado da cama”. Ela prossegue: “Podemos sugerir uma cesta para todos os eletrônicos, fazer um buraco para esconder os fios, mas tudo isso dá a ideia de exagero, do excesso que você não quer interferindo no espaço. Tudo bem, há 1.500 livros no seu Kindle; eliminou parte da bagunça, mas ainda há um abismo entre o que se pode fazer e o que está sendo feito. Geralmente eu pergunto para o cliente: O que a sua avó tinha na cabeceira da cama dela? Uma toalhinha de crochê, uma foto, alguma coisa que a fizesse feliz. Pense nela e veja se dorme.”  

Leia tudo sobre: criado-mudodecoração