Espaço disputado

Peça curinga nos quartos da casa desafia profissionais diante da invasão digital

iG Minas Gerais | Penelope Green - The New York Times |

Praticidade. Além de deixar os elementos ao alcance das mãos, mobília ajuda a dar ordem no espaço
Trevor Tondro/The New York Times
Praticidade. Além de deixar os elementos ao alcance das mãos, mobília ajuda a dar ordem no espaço
New York, EUA. Pense no criado-mudo: uma superfície doméstica modesta que, apesar disso, retrata as aspirações, ansiedades e vontades humanas – ou seja, é uma bagunça. O verdadeiro problema, porém, não reside nos móveis, mas sim no que está sobre eles – ou, como a presidente da empresa de decoração Mark Hampton, Alexa Hampton, disse recentemente: “O choque dos eletrônicos com a nostalgia que ocorre toda noite é um grande desafio”.   Ela mesma mantém fotos do marido e dos filhos, além do iPad, um iPad Mini e o BlackBerry (que serve de despertador), cada um com seu carregador, além de uma confusão de apetrechos cosméticos como pinça, alicate de unha e espelho. Tudo isso mais os óculos e uma pilha de livros, que ficam amontoados numa bandeja de prata. “Como dá para ver, não é só um simples problema de tecnologia”, resume ela.   Só que nos últimos cinco anos foram justamente os eletrônicos que aglomeraram ainda mais o espacinho já bastante disputado – e decoradores e fabricantes de móveis arrancam os cabelos para tentar dar um jeito na bagunça. Algumas pesquisas sobre sono confirmam a invasão digital do quarto.    No estudo mais recente feito pela Fundação Nacional do Sono, uma ONG norte-americana dedicada à “saúde do sono”, 72% das pessoas disseram levar o celular com elas para a cama, 49% levam o computador ou o tablet, e 13%, o leitor eletrônico. Um levantamento da Pew Research também descobriu que 90% das pessoas entre 18 e 29 anos dormem com o celular ao lado da cama.   Desafios Os decoradores têm dificuldade de colocar essa área em ordem porque preferem usar móveis sem gavetas em vez dos modelos tradicionais. Celerie Kemble, decoradora de Manhattan, diz que prefere mesinhas de bistrô, tipo cabriolé e até mobília de jardim. Só que essa escolha, conclui ela, resulta numa dúvida cruel: como esconder os eletrônicos?    Para fazer caber tanta tralha, a decoradora usa bandejas de prata, caixas de chá antigas, pequenos gabinetes e até escrivaninhas com filtros de linha nas gavetas. Para equipamentos maiores, ela sugere: “Que tal uma mesa de saia e uma bandeja onde dá para acomodar tudo e esconder na parte de baixo?”   Tiffiny Johnson, compradora da Design Within Reach, diz que o espaço é um desafio principalmente para os modernistas e minimalistas cujo ideal estético é uma mesa sem gaveta e um único livro sobre ela. “Com os novos aparelhos, temos que repensar o uso que os moradores dão para o móvel”, explica ela.   “Os livros estão desaparecendo porque todo mundo está migrando para os leitores eletrônicos e os aparelhos estão ficando cada vez menores. E tem também os fios. Temos que pensar nas saídas de energia”, ressalta.  

Leia tudo sobre: criado-mudodecoração