Comitê Popular da Copa organiza 'escracho' contra Marin

Grupo que debate os impactos do torneio nas cidades que recebem os jogos fizeram protesto em frente ao prédio do presidente da CBF

iG Minas Gerais | AGÊNCIA ESTADO |

Marin espera o triunfo do Brasil atuando em seus domínios
Paulo Mumia/VIPCOMM
Marin espera o triunfo do Brasil atuando em seus domínios

Em meio aos protestos na cidade de São Paulo na manhã desta sexta-feira, o Comitê Popular da Copa, grupo que debate os impactos do Mundial em suas cidades-sede, se reuniu em frente ao prédio do presidente da CBF, José Maria Marin, na região dos Jardins. O ato, intitulado de "escracho", lembrou os nove trabalhadores mortos nas obras dos estádios e os moradores removidos pelas exigências da Fifa.

Organizado sem divulgação, o protesto contou com intervenções de teatro e um enterro simbólico das vítimas. "Não divulgamos para poder realizar tudo sem um aparato policial impedindo. Nos encontramos na região da Avenida Paulista por volta das nove da manhã e caminhamos até o prédio do Marin, que fica em um condomínio muito luxuoso", diz Marina Mattar, estudante e membro do Comitê.

Marina explicou o objetivo da manifestação e os próximos planos do grupo. "Preparamos uma intervenção lúdica, como já vem sendo feito por outros grupos. Fomos fazer o enterro dos operários mortos. As famílias continuam sem indenização, as construtoras continuam sem se responsabilizar e o governo não fez nada sobre a situação", afirmou.

O grupo entoou coros contra o ex-presidente da CBF e atual dirigente do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo. A ação durou cerca de 30 minutos e, segundo Marina, a polícia chegou minutos após o fim da intervenção, quando o grupo já tinha ido embora.

O Comitê organiza uma série de eventos para a próxima semana, e deve contar com estudantes, membros de movimentos sociais e pesquisadores para debater as remoções, mortes, indenizações para vítimas e a conduta do governo com manifestantes durante a organização do Mundial do Brasil.