Nos estádios, torcedor terá mais deveres que direitos

iG Minas Gerais | Guilherme Guimarães |

“É proibido fumar, diz o aviso que eu li”. O verso da música do cantor Roberto Carlos não conseguiria, sozinho, contextualizar o cenário atual envolvendo a Fifa e seu Código de Conduta para os jogos da Copa. Isso porque, além do cigarro, mais de 20 outros objetos (veja quadro abaixo) estão citados no documento que regula o que pode e o que não pode ser levado para dentro das arenas em dias de duelos.  

Para evitar problemas na hora de acessar os estádios, o torcedor que comprou ingressos precisa ficar ligado para não sofrer com eventuais constrangimentos, já que a entidade máxima do futebol é rígida em relação às suas regras.

“A Fifa, de forma arbitrária, fala o que você pode ou não fazer. Senti isso na pele na Copa das Confederações. Acho um abuso uma empresa privada legislar e controlar uma nação, seja o Brasil ou qualquer outra”, reclamou o servidor público Ivan Campos.

No ano passado, vestindo camisas com frases de efeito, como “Queremos SUS padrão Fifa”, “Queremos educação padrão Fifa” e “Queremos metrô padrão Fifa”, Ivan foi impedido de entrar no Mineirão, com a namorada e com a mãe, no jogo entre Japão e México, no torneio do ano passado. Na ocasião, funcionários ligados à Fifa e policiais militares cumpriram normas e barraram os torcedores.

Como aliado do cidadão, o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) elaborou a cartilha “De Olho na Copa – Direitos e Condutas do Torcedor no Estádio”. O guia faz uma “tradução didática” do que está previsto no Código de Conduta da Fifa, tecendo observações do Código de Defesa do Consumidor (CDC).

“Muitos dos itens impedidos são para assegurar a segurança do torcedor. A questão mais polêmica é sobre os dispositivos de captação de imagem. É preciso esperar para ver o comportamento da Fifa. Em uma medida conservadora, eu orientaria o torcedor a não levar tablets para os estádios”, analisou o advogado Bernardo Santos.

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