De volta à nata da música popular brasileira

Ícone da MPB, Boca Livre mostra repertório do disco “Amizade”, em comemoração ao s 35 anos de carreira do grupo

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Participação. Grupo Cobra Coral, revelação da música contemporânea, fará apoio instrumental à banda Boca Livre
leopoldo resende/divulgação
Participação. Grupo Cobra Coral, revelação da música contemporânea, fará apoio instrumental à banda Boca Livre

Os inconfundíveis vocais e arranjos do grupo Boca Livre estão de volta à boa praça da música popular brasileira. Sem gravar um álbum de releituras inéditas há quase 20 anos, um dos principais grupos de MPB do país apresenta hoje e amanhã à noite, no Teatro Bradesco, o show do disco “Amizade”, lançado no ano passado para marcar os 35 anos de carreira do quarteto musical mineiro.

Desde 2006 com fôlego renovado, o Boca Livre voltou a fazer shows praticamente com os membros originais da década de 70, tendo Zé Renato (voz e violão), Maurício Maestro (baixo, voz e violão), David Tygel (viola e vocal), além de Lourenço Baeta (flauta, violão e vocal), integrado à banda recentemente. Em pouco tempo, voltaram a colher frutos da música ao serem eleitos o melhor grupo de MPB no 25º Prêmio da Música Brasileira, ao lado de Edu Lobo (melhor álbum), Maria Bethânia (melhor cantora) e Milton Nascimento (melhor cantor). “Foi uma honra muito grande voltar tão por cima. Agora sabemos o que representamos para a música. Precisávamos ter parado para voltar com esse calor para tocar”, diz Zé Renato.

Em 16 anos de hiato, o Boca Livre chegou a lançar trabalhos como “Boca Livre 20 Anos” (1998) e “Boca Livre Ao Vivo” (2007), mas o último disco de inéditas ainda era “Americana” (1995). “A gente não queria fazer só um trabalho comemorativo, mas também reunir a verdadeira alma de um grupo que resolveu voltar”, diz Zé Renato.

Talvez por essa busca de identidade, a exemplo do início da carreira, quando lançou de forma independente o emblemático disco de estreia “Boca Livre” (1973), que ultrapassou as mil cópias vendidas sendo um marco para a época, o recém-lançado “Amizade” (2013) também foi concebido sem gravadoras. Além disso, a banda ganhou o reforço do empresário José Mário Linhares, o primeiro a trabalhar com eles. “Foi um processo de volta às origens, sem dúvida. Desde 2006 tocamos todos juntos nessa formação, que é a que mais gravou com a banda. E a volta do Zé Linhares fez com que a gente elaborasse um repertório forte e que abraça toda a nossa carreira dos anos 70 até os dias atuais”, avalia Zé Renato.

No repertório do show, o Boca Livre se concentra em mostrar parte das oito canções que integram o novo disco e que foram escolhidas pelo grau de ineditismo. Entre elas, “Terra do Nunca”, de Edu Lobo e Paulo César Pinheiro, que fez parte de uma montagem teatral de Peter Pan que a atriz Sura Berditchevski dirigiu nos anos 90, mas permanecia inédita em disco até então. A inovação também aparece em “Rio Amazonas”, que teve o instrumental gravado por Dorival Caymmi em 1988 e registrada por Zé Renato apenas recentemente, em 2010, com letra de Paulo César Pinheiro. A última faixa do disco, “Amizade”, a mais nova composição da banda, reafirma uma pareceria entre os velhos amigos Maurício Maestro e Marcos Valle, além de resumir o espírito do Boca Livre (“É assim sempre foi / Para sempre será / É sem fim nunca vai mudar”).

Além das novas canções, o Boca Livre vai passear por clássicos da carreira, como “Toada”, “Quem Tem a Viola” e “Mistérios”.

Convidada do projeto Mistura Minas, que reúne diferentes gerações da música brasileira para encontros no palco, a banda recebe no palco o quarteto mineiro Cobra Coral, composto por Kadu Vianna e Pedro Morais e Flávio Henrique (violões e vozes), além da cantora Mariana Nunes. Serviço. Boca Livre apresenta show do disco “Amizade”, no Teatro Bradesco (rua da Bahia, 2244, centro). As apresentações acontecem hoje e amanhã, sempre às 21h. As entradas para o show custam R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada).

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