Um fim de semana com Humberto Mauro

Três longas dão ao público a chance de conferir exemplares essenciais das principais fases do cineasta

iG Minas Gerais | daniel oliveira |

“Brasa Dormida” marca o momento em que o cinema brasileiro vira arte
FCS
“Brasa Dormida” marca o momento em que o cinema brasileiro vira arte

Embora considerado o “pai do cinema brasileiro”, Humberto Mauro ainda é apenas o nome na retina de muitos cinéfilos que conhecem toda a filmografia de Bergman ou Ozu, sem nunca terem visto uma obra do pioneiro de Cataguazes. Mas neste fim de semana, a mostra “O Grande Pioneiro do Cinema Brasileiro”, na sala que leva seu nome no Palácio das Artes, oferece aos virgens na obra do cineasta mineiro uma chance de conferir uma obra essencial de cada fase de sua carreira.

Hoje, às 19h, é a vez de “Lábios sem Beijos”. Lançado em 1930, o longa marca a chegada de Mauro à Cinédia. Drama romântico, o filme representa o desejo inicial do fundador do estúdio, Adhemar Gonzaga, de realizar produções que emulassem o luxo e o glamour do star system hollywoodiano. “Lábios sem Beijos”, no entanto, foi uma das poucas tentativas nesse sentido, já que a necessidade comercial fez a produtora se especializar nas comédias musicais pelas quais ficaria conhecida.

Amanhã, às 18h, a mostra apresenta “O Canto da Saudade”, último longa de Mauro. O filme traz a volta do diretor a Cataguazes, após as passagens pelo Rio e pelo Instituto de Cinema Educativo (Ince). A adaptação do mito folclórico permite ao diretor compor suas belíssimas imagens do campo, em que a natureza oferece metáforas tanto da pureza quanto do desejo humano, as duas forças em conflito nas principais obras do cineasta.

Essa disputa ganha uma das primeiras grandes metáforas visuais do cinema brasileiro em “Brasa Dormida”, quando um casal vai para a cama, e Mauro corta para a pulsação das máquinas de uma indústria. A produção de 1928, exibida no domingo às 18h, é um dos principais títulos do chamado Ciclo de Cataguazes e marca, provavelmente, o momento em que o cinema nacional se torna arte.

Ao lado de produções como “Lábios sem Beijos” e “Ganga Bruta”, ela confirma o olhar fiel e incisivo de Mauro para a moral da época, ao mesmo tempo em que domina toda a técnica e a linguagem dos populares melodramas do período.

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