Mineiridade entre o céu e a serra

Peça premiada da Cia. do Palácio das Artes volta a ser apresentada

iG Minas Gerais | gustavo rocha |


Com direção de Cristina Machado, trabalho estabelece diálogos
Guto Muniz
Com direção de Cristina Machado, trabalho estabelece diálogos

A identidade de um povo é algo em constante construção. Assim – ainda que alguns elementos sejam marcas cristalinas de uma cultura – ela é processual. Ao reapresentar o espetáculo “Entre O Céu e as Serras”, que estreou em 2000, a Cia. de Dança do Palácio das Artes, revisita a cultura mineira, por meio alguns de seus cânones. A peça está em cartaz hoje e amanhã no Grande Teatro do Palácio das Artes.

“A identidade, assim como a dança, é feita do movimento. Nossa grande questão ao retomar esse trabalho, 14 anos depois, foi justamente como nós abordaríamos a temática”, relata a diretora do espetáculo Cristina Machado.

Pode não parecer, mas 14 anos é um tempo considerável. “O cenário precisou ser refeito porque era todo artesanal, de madeira, bambu, parecido com os forros de teto das casas antigas. Alguns figurinos também precisaram ser refeitos. E o vídeo e o áudio também evoluíram bastante nos últimos anos. Então, foi preciso fazer uma nova edição da trilha e do vídeo”, revela.

A montagem faz referências ao período barroco e à formação de nossa identidade. A religiosidade, o domínio português e a resistência da cultura negra, o contato do homem com a natureza e os desdobramentos dessas vivências foram conceitos pesquisados e traduzidos para o espetáculo de forma contemporânea pela companhia. O trabalho navega pelos sentidos e significados da música, texto e corpos inscritos nos rituais e festividades das comunidades afrodescendentes, agentes expressivos de tradições e espiritualidade.

“Entre O Céu e as Serras” também marca a história da Cia. de Dança do Palácio das Artes por seu processo de criação. “Nós fizemos uma pesquisa de campo, de movimento que até então não aconteciam aqui”, revela Cristina.

O interesse por outras linguagens, como o teatro, também rendeu parcerias importantes para o espetáculo. “Nós convidamos o Ney Matogrosso para fazer a luz e ele nos disse que queria vir a Belo Horizonte para acompanhar os ensaios. É interessante pensar que a luz, mesmo sendo de show, deva iluminar o bailarino, o teatro deve ser feito por bailarinos. O vídeo deve dialogar com o movimento e assim por diante”, ressalta ela.

Espécie de “menina dos olhos” da companhia, a diretora acredita que o envolvimentos das pessoas seja o que dá o brilho ao trabalho. “Acho que é porque mexe com nossa identidade. Até os cenotécnicos do trabalho são os mesmos de 2000”, destaca Machado.

Agenda O quê. “Entre o Céu e as Serras”

Quando. Hoje e amanhã, às 20h30

Onde. Palácio das Artes (avenida Afonso Pena, 1.537, Centro)

Quanto. R$30 e R$ 15 (meia-entrada)

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