Abandono de aterro pode causar desastre ambiental

Líquido proveniente do lixo em decomposição polui solo e destrói vegetação; Catadores também se arriscam no terreno recolhendo entulhos e alimentos

iG Minas Gerais | Dayse Resende |

Alarmante. 
Estação de tratamento do chorume está desativada
Alarmante. Estação de tratamento do chorume está desativada

 

Uma semana depois de um operário morrer em uma explosão no aterro sanitário da Essencis, às margens da BR–381, a reportagem de O Tempo Betim flagrou uma situação de total abandono no aterro sanitário do Citrolândia, desativado em dezembro de 2011 pela ex-prefeita Maria do Carmo Lara (PT), que pode provocar novos acidentes ambientais.   Na época, a então chefe do Executivo afirmou, em entrevista, que o local seria tratado e transformado em um parque ecológico. No entanto, mais de dois anos depois, o que se vê é uma realidade bem diferente. Um rio de chorume – líquido de odor forte e de alto potencial de contaminação que é proveniente do lixo – está destruindo a vegetação da área, contaminando o solo, poluindo uma nascente e causando sérios riscos à saúde de moradores da região.   O problema estaria ocorrendo porque, conforme explica a superintendente da Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda), Dalce Ricas, após o fechamento do aterro, seria necessário que os gases estivessem sendo tratados. “Todo aterro, quando chega ao fim da sua vida útil, deve receber a drenagem do chorume e a captação do gás até que se esgotem. Se essa fiscalização não acontecer, o chorume, ao circular pelo solo em que o lixo foi depositado, poderá atingir o lençol freático (reservatório de água subterrânea proveniente da água da chuva infiltrada no solo), poluindo-o e afetando as espécies aquáticas e as plantações irrigadas”, explica Maria Dalce, ao ressaltar que, nesse caso, a solução seria a raspagem do solo, removendo a camada contaminada.   Outro problema encontrado pela reportagem no local foi a Estação de Tratamento de Efluente (ETE), composta por duas lagoas, que, segundo denúncias de funcionários da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, estaria desativada. “Se essas unidades estivessem funcionando, elas tratariam a água residual doméstica ou industrial e, depois, as descartaria com um nível de poluição aceitável, conforme a legislação vigente para o meio ambiente”, explica Maria Dalce.   No entanto, conforme imagens feitas por O Tempo Betim na quarta (4), às vésperas do Dia Mundial do Meio ambiente (5 de junho), há a suspeita de que a manta da estação de tratamento esteja furada, causando o vazamento do chorume e, consequentemente, a poluição.    Moradores da região também foram flagrados catando entulhos e restos de alimentos na cava do aterro sanitário, próximo às manilhas por onde os gases são eliminados. Apesar de o aterro estar oficialmente fechado, caminhões também foram vistos despejando resíduos no local, o que pode causar um acidente como o da Essencis.    Segundo a dona de casa Maria da Penha Vieira, 49, a situação é comum. “É um entra e sai de caminhão o dia inteiro. Muita gente se arrisca catando sucatas, latas e móveis velhos”.  Rosângela Coelho, 49, diz que a notícia de que o aterro foi desativado é “mentirosa”, e que o local ainda causa problema. “As chamas de gases são fortes e causam mau cheiro. Temos muito medo de que ocorra uma explosão, como a que matou o operário da Essencis”.  

Respostas

 

Procurada, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) explicou que o governo de Minas tem um convênio firmado com a prefeitura, que passa a ser responsável pela fiscalização dos empreendimentos no município.   Já a prefeitura informou, através de nota, que o aterro, do ponto de vista técnico, ainda não foi fechado e que serão licitados, ainda neste semestre, os projetos necessários para o fechamento oficial da área.    Ainda segundo a nota, a previsão é que a prefeitura invista mais de R$ 1 milhão para a recuperação ambiental do terreno.    O Executivo não informou quando foi feita a última fiscalização do aterro nem se pronunciou sobre os  riscos aos quais as pessoas estão expostas ao frequentarem a área. Disse apenas que “todos os danos ambientais serão solucionados com a implantação dos projetos que a secretaria está licitando”. 

 

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