Diagnóstico em Minas pode ser até cinco vezes mais rápido

Funed já utiliza kits de reagentes com metodologia mais rápida na avaliação de casos especiais da doença

iG Minas Gerais | Da redação |

Laboratório de análises clínicas da Funed
SES/Divulgação
Laboratório de análises clínicas da Funed

A Fundação Ezequiel Dias (Funed) já está utilizando um importante aliado no diagnóstico da dengue. A partir da doação de kits de reagentes feita pelo Center for Disease Control (CDC), de Atlanta, nos Estados Unidos, o órgão pode fazer o diagnóstico da dengue no equipamento PCR em tempo real. Entre as vantagens da nova metodologia, está a emissão do laudo em até cinco dias úteis, ou seja, cinco vezes mais rápido que o exame adotado atualmente para sorotipagem (isolamento viral), que tem prazo de até 30 dias para conclusão.

De acordo com a referência técnica do Laboratório de Biologia Molecular da Funed, Felipe Iani, o PCR em tempo real, além de mais sensível e específico, é a metodologia de diagnóstico mais moderna que existe no mundo, na atualidade. O método detecta partes específicas do DNA de cada sorotipo viral.

“O isolamento viral, considerado atualmente padrão-ouro para o diagnóstico do vírus da dengue, é utilizado para sorotipar em dengue tipo 1, 2 , 3 e 4 e, assim, identificar qual o tipo de vírus que circula em cada região do Estado. Ele tem um prazo de aproximadamente de 25 a 30 dias para a liberação do resultado, pois depende da multiplicação do vírus em células cultivadas. Após o período de incubação, são feitas lâminas com estas células e o vírus é identificado por meio de anticorpos fluorescentes contra cada sorotipo viral. Com o diagnóstico via PCR em tempo real, o nosso prazo será de apenas cinco dias, aproximadamente”, explica Felipe.

A Fundação já possuía o equipamento PCR em tempo real desde 2010. A novidade é que com a chegada dos reagentes, o equipamento será utilizado também para o diagnóstico da dengue. “Conseguimos importar, sem custos, os kits de reagentes necessários, após o contato realizado com o CDC, órgão norte-americano que é referência no diagnóstico e controle de doenças potencialmente epidêmicas, que fez a doação. Tais reagentes podem ser adquiridos comercialmente, mas o alto custo encarece e dificulta a adoção do PCR como um diagnóstico de rotina. Os reagentes recebidos serão um aporte a mais para atender a nossa demanda atual que tende a crescer”, destaca o profissional.

Aplicação em casos especiais

Apesar de a metodologia ser a mais avançada que existe na atualidade, Iani explica que essa técnica só será utilizada na Funed em casos específicos de diagnóstico, como os agudos, óbitos e em algumas situações conclusivas, para confirmação do diagnóstico.

“O grande avanço é que nós já estamos aptos para realizar o diagnóstico do sorotipo do vírus nessa metodologia. O segundo passo agora é definir e estabelecer critérios, a partir de uma nota técnica, para casos que deverão ser apurados por meio dela. O próprio Laboratório de Dengue da Funed irá determinar qual o método de análise será empregado em cada situação especifica, sempre considerando o controle epidemiológico e a proteção da saúde da população”, afirma.

Referência

Hoje, a Funed é responsável por realizar o diagnóstico de toda a região Central do Estado, além de fazer o Controle de Qualidade e exames sorológicos confirmatórios dos laboratórios macrorregionais e municipais.

Em 2014, a Funed já processou 3.820 amostras de dengue até o final de março. Isso, levando-se em consideração o diagnóstico de rotina. Quanto à técnica de isolamento viral, foram processadas cerca de 500 amostras até o mesmo período.

A analista do Laboratório de Dengue e Febre Amarela da instituição, Eliza de Souza Lopes, explica que não é possível precisar uma média mensal de amostras processadas já que em períodos de epidemia a demanda é bem maior.

“Como a dengue é uma doença sazonal, a entrada de amostras no primeiro semestre é bem maior que no segundo pela própria característica do mosquito e também do clima”, afirma.

 

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