Empresas alertam que pode faltar ônibus durante a Copa

Segundo sindicato, não há veículos reserva para cobrir aqueles incendiados ou danificados

iG Minas Gerais | Aline Diniz |

Barreiro. Na segunda, vândalos invadiram e destruíram ônibus da linha 305
Alex de Jesus
Barreiro. Na segunda, vândalos invadiram e destruíram ônibus da linha 305

De janeiro de 2013 a abril deste ano, 453 ônibus do transporte coletivo foram danificados ou incendiados em Belo Horizonte. Os dados são de um levantamento feito pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra-BH), apenas em dias de jogos no Mineirão. A entidade reclama dos prejuízos causados pelo vandalismo e faz um alerta: se o número de ataques aumentar, pode faltar ônibus na capital durante a Copa do Mundo, com estreia marcada para daqui a uma semana.

Segundo o assessor da presidência do Setra-BH, José Guilherme Couto, as empresas têm ônibus reserva, mas eles são usados apenas em caso de manutenção. Ainda conforme ele, a volta dos veículos danificados depende do dano. Mas, no caso dos incendiados, a substituição pode demorar até um mês. O resultado são ônibus mais cheios e com maiores intervalos entre as viagens (já que há a necessidade de remanejá-las). Além disso, os gastos das empresas com consertos e reposições entram no cálculo do valor da passagem. Ou seja, quem paga a conta é o usuário.

Custo e usuário. Por dia, segundo cálculo do sindicato, cada ônibus faz 12 viagens, com cerca de 50 passageiros. Assim, cada ônibus retirado de circulação afeta cerca de 600 usuários por dia. Só nos primeiros cinco meses deste ano, cinco ônibus foram queimados. O número já é quase igual ao do ano passado, quando foram seis. “Quando um veículo é incendiado, é preciso encontrar ônibus no mercado, comprar, pintar e instalar os equipamentos”, detalha Couto.

O representante do Setra-BH explica ainda que as apólices de seguro não cobrem atos de vandalismo. O custo de um veículo é de aproximadamente R$ 370 mil, incluindo os equipamentos eletrônicos. Só neste ano, as empresas desembolsaram cerca de R$ 1,8 milhão na compra de coletivos – foram cinco incendiados. Já com relação ao conserto, a média gasta por carro é de R$ 1.000. Como nos últimos 16 meses 442 veículos foram danificados, os gastos foram de R$ 442 mil.

Além do dinheiro, há ainda o prejuízo psicológico para passageiros, cobradores e motoristas. “Empresas têm dificuldade para conseguir pessoas para trabalhar em algumas regiões”, diz Couto.

Análise. Robson Sávio, especialista em segurança pública da PUC Minas, considera que a impunidade é um dos fatores que contribuem para que as pessoas depredem e queimem ônibus. “É uma explicitação do descrédito conferido à Justiça, à polícia e ao Legislativo”, analisa. Ele ainda argumenta que não há um trabalho de prevenção por parte da polícia.

A Secretaria de Estado de Defesa Social foi procurada para falar sobre as estratégias de segurança para a Copa, mas não se pronunciou.

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